“Espero que os juros venham a baixar e a gente possa criar as condições para que se eleve o nível de crescimento da economia. Não tem milagre, ou você cresce a economia para gerar emprego ou não cresce o nível de emprego”, declarou Luiz Marinho
O Brasil gerou 112.334 empregos com carteira assinada em janeiro, segundo dados do Novo Caged, divulgados nesta terça-feira (3) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. O saldo é a diferença entre 2.208.030 admissões e 2.095.696 desligamentos no mês. O resultado de janeiro significou um recuo de 27,2% em relação a janeiro de 2025, quando foram criados cerca de 154,4 mil empregos formais.
No acumulado dos últimos 12 meses, entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, o saldo é de 1.228.483 novos postos de trabalhos formais. No período, o estoque total de vínculos cresceu 2,6%, passando de 47.349.496 para 48.577.979 trabalhadores no emprego formal.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, voltou a dizer que está do lado dos que defendem a redução dos juros, criticando os juros elevados do Banco Central, e disse que a geração de emprego, o mercado de trabalho, depende do crescimento da economia. Para isso, espera que o BC comece o corte na taxa de juros, hoje entre os maiores do planeta.
“Espero que os juros venham a baixar e a gente possa criar as condições para que se eleve o nível de crescimento da economia. Não tem milagre, ou você cresce a economia para gerar emprego ou não cresce o nível de emprego. Ele é dependente do ritmo de crescimento da economia”, afirmou o ministro, ao ser questinonado, em coletiva, sobre o resultado do Produto Interno Bruto (PIB), divulgado nesta terça-feira (3) pelo IBGE. O PIB cresceu 2,3% em 2005, desacelerando em relação a 2024 (3,4%).
“Nós prevíamos que no ano passado a geração de emprego seria positiva, mas seria inferior exatamente pelo ritmo da economia ditada pela política monetária de ajuste, de juros, que ia levar a esse processo que se confirmou”, declarou Marinho.
“Precisamos viabilizar os investimentos contratados e para viabilizar os investimentos contratados é preciso que module a taxa de juros, senão ela inibe os investimentos anunciados por vários setores da economia. Quem tem recursos prefere aplicar em títulos, quem tem necessidade de tomar empréstimo, não vai tomar porque o juro está alto”, ressaltou. “Não faz sentido pensar em crescimento de juro, pelo contrário”, defendeu Marinho, mesmo diante do atual cenário externo.
“Nós sabemos dessas dificuldades que se impõem a partir de uma decisão maluca lá fora, ou uma decisão maluca no Congresso, enfim, qualquer decisão maluca interfere de forma a piorar o cenário”, disse.
Luiz Marinho acredita que saldo positivo do ano passado, de 1,28 milhão de empregos formais , “pode se repetir esse ano, até com viés de crescimento, vai depender da circunstância do que a economia vai se comportar mês a mês”.
Dos cinco grandes setores da economia, quatro registraram crescimento no mês, com destaque para a indústria, com a criação de 54.991 vagas, seguida de Serviços (40.525), Construção (50.545) e Agropecuária (23.073).
Já o Comércio perdeu 56.800 vagas, “movimento explicado pela sazonalidade após as festas de fim de ano”, segundo o ministério.
Em nível regional, 18 das 27 Unidades da Federação tiveram saldo positivo. Os maiores avanços foram registrados em Santa Catarina (+19.000), Mato Grosso (+18.731) e Rio Grande do Sul (+18.421). Em termos percentuais, Mato Grosso apresentou o maior crescimento (1,9%), seguido por Santa Catarina (0,7%) e Goiás (0,7%).
O salário médio real de admissão em janeiro de 2026 foi de R$ 2.389,78. Um aumento de 3,3% em relação a dezembro de 2025. Na comparação com janeiro do ano passado, o crescimento foi de 1,77%, já descontados os efeitos sazonais.
Dos empregos gerados no mês, 58% são considerados típicos e 42% não típicos. Entre os não típicos, destacam-se contratações via CAEPF (Cadastro de Atividade Econômica da Pessoa Física), principalmente na agricultura da soja; admissões com jornada de até 30 horas semanais; e aprendizes. São os trabalhos intermitentes, temporários.
O salário médio dos trabalhadores típicos (R$ 2.428,67) ficou 1,6% acima da média geral. Já entre os não típicos, o valor médio foi de R$ 2.136,37, 10,6% abaixo da média.











