Carla Zambelli quer escolher os juízes que vão julgá-la

A bolsonarista Carla Zambelli está presa na Itália (Foto: Reprodução - Câmara dos Deputados)

Defesa da ex-deputada federal bolsonarista formaliza pedido para troca de corte na Itália

Numa cena digna de novela jurídica com roteiro improvisado, a defesa de Carla Zambelli, a ex-deputada federal agora encrencada no velho continente, pediu formalmente a substituição dos juízes que analisam o processo de extradição dela na Itália.

O motivo? Alega “hostilidade” e falta de imparcialidade de parte do colegiado que tramita o caso na Corte de Apelação de Roma.

A movimentação ocorreu durante a audiência, da última terça-feira (20), quando os magistrados italianos rejeitaram pedidos de acesso às informações sobre a condição do cárcere brasileiro onde Zambelli deverá cumprir pena caso seja extraditada, como já havia sido adiado mais uma vez o julgamento, agora remarcado para 11 de fevereiro.

“Ao final da audiência, a sra. Zambelli pessoalmente — e não seus advogados — tomou a palavra para contestar um suposto clima de ‘hostilidade’ contra ela, não melhor especificado”, escreveu em nota Alessandro Silveri, representante da AGU (Advocacia-Geral da União), que acompanha o processo pelo lado brasileiro.

ARGUMENTOS DA DEFESA E ACUSAÇÕES DE PARCIALIDADE

A equipe de defesa italiana pretende protocolar, nos próximos dias, o pedido de impedimento dos magistrados, com base na legislação processual daquele país.

Os advogados alegam que os juízes teriam mostrado “comportamento hostil e prejulgamento” ao negar pedidos considerados por Zambelli como essenciais. Inclusive a oitiva de testemunhas e documentos que a defesa entende fundamentais à sua tese de que deveria permanecer na Itália.

Segundo o advogado Pieremilio Sammarco, “percebemos que eles [os juízes] estavam sendo hostis e com prejulgamento em relação às nossas solicitações, não atendidas”.


Se acatado, o pedido de troca pode significar que todo o processo retroaja quase ao ponto de partida, o que reabriria a discussão do zero — presente jurídico para quem parece relutar em aceitar as regras do jogo.

DRAMÁTICO CONTEXTO ITALIANO

Zambelli, que deixou o Brasil em junho de 2025 antes de começar a cumprir pena de 10 anos por invasão hacker ao sistema do CNJ (Conselho Nacional de Justiça) e 5 anos por porte ilegal de arma e coação ilegítima, foi presa em Roma em julho de 2025, na sequência de pedido de extradição do governo brasileiro.

Desde então, a saga judiciária da ex-deputada tem sido marcada por adiamentos sucessivos da decisão italiana — que agora ficou para fevereiro — e por tentativas de utilizar todos os instrumentos processuais possíveis para postergar ou alterar o curso natural do processo.

Em solo italiano, Zambelli chegou a anunciar com confiança que, por ser cidadã italiana, seria “intocável” pelas ordens de extradição brasileiras; expectativa que vem sendo sistematicamente desmentida pelos fatos e pelas decisões dos tribunais de Roma.

HUMOR” DE BASTIDORES

Em círculos jurídicos europeus, a estratégia de questionar juízes pode ser vista tanto como direito legítimo quanto como gesto de desespero para ganhar tempo.

Movimento esse que parece combinar curiosamente com a trajetória acidentada (diria-se mesmo, atrapalhada) e pouco estratégica da própria Zambelli nos últimos anos da política e agora da Justiça internacional.

Como disse ironicamente o observador da cena política brasileira à margem dos tribunais: “Quando a realidade bate à porta, alguns preferem trocar de porteiro”. Se o novo colegiado lhe for favorável ou apenas outro capítulo da novela, só o tempo dirá.

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