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Sem conseguir disfarçar o caráter eleitoreiro da iniciativa, Bolsonaro apresentou na terça-feira (25), o Casa Verde Amarela – programa habitacional em versão substituta e requentada do Minha Casa Minha Vida.
A principal diferença do programa em relação ao lançado em 2009, durante o governo Lula, é a divisão do público em três grupos que serão atendidos com taxas de juros diferentes.
As taxas mais baixas do novo programa, fixadas em 4,25% ao ano, valem apenas para contratos na primeira faixa de renda, que vai até R$ 2.000,00, para a região Nordeste. Embora apresentada como “pedra de toque” da proposta, a redução de juros é diminuta e incompatível com um programa voltado para famílias de baixa renda. Além disso, mantém a taxa muito acima Selic (taxa básica da economia), atualmente em 2% ao ano. Portanto, nada que justifique a cerimônia recheada de discursos empolgados.
Todas as demais taxas de juros foram apresentadas com pequenas reduções, em patamares muito acima da Selic e quase nada diferentes do antigo programa.
As taxas para terceira faixa renda, de até R$ 9.000,00, ficaram nos percentuais de 8,16% e 7,66% ao ano – ou seja, iguais ou maiores do que alguns bancos já estão oferecendo no mercado.
Além das novas taxas de juros, prevê ações voltadas à regularização fundiária, reforma de imóveis e retomada de obras.
Taxas Casa Verde Amarela
Grupo 1/Norte e Nordeste: a partir de 4,25% ao ano
Demais regiões: a partir de 4,5% ao ano
– Famílias com renda de até R$ 2 mil mensais
Grupo 2/Norte e Nordeste: a partir de 4,75% ao ano
Demais regiões: a partir de 5% ao ano
– Famílias com renda entre R$ 2 mil e R$ 4 mil mensais
Grupo 3: a partir de 7,66% ao ano em todo o país
– Famílias com renda entre R$ 4 mil e R$ 7 mil mensais