O Secretário da Guerra dos EUA forçou o general George, chefe do Estado-Maior do Exército, a renunciar diante do fiasco militar com baixas e perdas que se acumulam
O secretário Pete Hegseth, ex-âncora da Fox News, forçou a aposentadoria imediata do chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, em meio a uma crescente crise dentro do establishment militar dos EUA em razão da guerra fracassada contra o Irã, com sua estratégia de blitzkrieg aérea, decapitação e mudança de regime
A demissão abrupta do 41º Chefe do Estado-Maior do Exército ocorreu na quinta-feira (2), em meio a uma onda de expurgos de altos comandantes dos EUA, amplamente interpretada como uma tentativa desesperada de desviar a responsabilidade pela série de derrotas de Washington em sua guerra de agressão contra o Irã.
Um oficial relatou à CNN que o general George estava em uma reunião, quando foi comunicado da demissão por Hegseth por telefone.
A demissão ocorreu no dia seguinte ao discurso de 1º de abril, em que Trump cantou “vitória”, garantiu que a guerra durará no máximo “duas ou três semanas” e prometeu bombardear o Irã de “volta à Idade da Pedra”, além de deixar aos países necessitados de petróleo e gás a tarefa de reabrir o Estreito de Ormuz.
Os outros dois generais demitidos são o chefe dos capelães, major-general William Green Jr., e o comandante do Comando de Transformação e Treinamento do Exército, general David Hodne.
“O general Randy A. George se aposentará de seu cargo como o 41º chefe do Estado-Maior do Exército, com efeito imediato. O Departamento de Guerra agradece as décadas de serviço do general George à nossa nação”, confirmou na plataforma X o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell.
Ainda de acordo com a CNN, a natureza abrupta e pública da aposentadoria imediata de George deixou pouca margem para que os oficiais argumentassem contra a remoção de um dos chefes do Estado-Maior Conjunto em meio ao conflito em curso com o Irã — especialmente porque o Exército, sob o comando de George, está mobilizando tropas e é o principal responsável por fornecer capacidades cruciais de defesa aérea e antimíssil integradas às forças conjuntas.
“Não me parece uma decisão muito bem pensada”, disse à CNN o oficial.
Segundo o ex-agente da CIA e respeitado analista Larry Johnson, “militares [que ouviu] acreditam fortemente que o General George foi forçado a renunciar porque não apoiava o envio de tropas americanas no terreno”.
George, que assumiu o cargo em setembro de 2023 com mandato de quatro anos, havia atuado anteriormente como vice-chefe de gabinete. Formado em West Point em 1988, ele participou das invasões americanas do Iraque e do Afeganistão.
A purga desde a nomeação de Hegseth inclui o vice-chefe do Estado-Maior da Força Aérea, General James Slife; o diretor da Agência de Inteligência de Defesa, Tenente-General Jeffrey Kruse; e a chefe de Operações Navais, Almirante Lisa Franchetti. O que observadores independentes interpretam como uma consequência direta da incapacidade dos Estados Unidos de impor sua vontade diante da firme defesa da soberania iraniana no âmbito da guerra imposta.
Os repetidos reveses militares e de inteligência sofridos por Washington desencadearam uma busca por culpados dentro do Pentágono. George, intimamente ligado às políticas do governo Joe Biden, tornou-se um bode expiatório conveniente para o governo Trump em meio ao fracasso de sua guerra contra o Irã.
Não só o regime iraniano não entrou em colapso, como sua resistência à agressão surpreendeu o Pentágono e a Casa Branca. O Irã vem destruindo as bases americanas no Golfo, mantém o controle da hidrovia por onde passa 20% do petróleo e gás comercializado no mundo, transformou o Domo de Ferro israelense em peneira e reagiu aos criminosos ataques à sua infraestrutura energética e produtiva com retaliações a instalações no Golfo ligadas aos EUA. Mesmo na guerra aérea, começa a se delinear um cenário que lembra o Vietnã, com as carcassas de aviões abatidos fumegando sobre o solo.
“PEGA O PETRÓLEO”
Nesta sexta-feira (3) Trump voltou à carga na sua plataforma Truth Social pela manhã: “Com um pouco mais de tempo, podemos facilmente ABRIR O ESTREITO DE HORMUZ, PEGAR O PETRÓLEO E FAZER UMA FORTUNA”.
À tarde, ele voltou ao tema: “MANTENHAM O PETRÓLEO, ALGUÉM?”
Afinal, a base do privilégio exorbitante do dólar é a imposição dele como a única forma de comprar e vender energia, o que está com os dias contados, apesar do apetite demonstrado pelo regime Trump em monopolizar os mercados globais de energia pela força, como na Venezuela e tenta, agora, no Irã.
Ao ser questionado pela NBC News sobre a queda confirmada de um jato de combate dos EUA, ele se recusou: “não, de forma alguma. Não, estamos em guerra”. Segundo inquilino da Casa Branca, a queda do jato norte-americano “não afetaria” as “negociações” com o Irã.
Segundo um comandante da Guarda Revolucionária Islâmica, sobre as ameaças de guerra terrestre: “já prepararam suas lápides?”











