China, Irã e Rússia firmam acordo que reforça defesa e desenvolvimento

Presidentes Xi Jinping (China), Masoud Pezeshkian (Irã) e Vladimir Putin (Rússia) fortalecem projeto comum (Composição HP)

Enfatizando declarações emitidas por Pequim e Moscou, as autoridades iranianas descreveram o pacto como um compromisso com o “respeito mútuo, a independência soberana e um sistema internacional que rejeita a coerção unilateral”

Reforçado por laços econômicos, políticos e de defesa, o pacto estratégico formalizado na última quarta-feira (28) pelos governos da China, Irã e Rússia está sendo apontado como uma das mudanças mais significativas nas relações internacionais do século XXI.

Ecoando as declarações emitidas por Pequim e Moscou, as autoridades de Teerã descreveram a coalização firmada como um compromisso conjunto com o “respeito mútuo, a independência soberana e um sistema internacional baseado em regras que rejeita a coerção unilateral”.

Detentor de vastos recursos energéticos, o Irã passa a gozar agora de maior acesso a mercados e investimentos, especialmente à medida que a China prossegue com suas iniciativas da Nova Rota da Seda e a Rússia alcance mercados não afetados por sanções. Em conjunto, esses desenvolvimentos prenunciam um aumento nos fluxos comerciais e uma menor vulnerabilidade ao sistema financeiro centrado no dólar americano.

Embora o texto completo do acordo – num contexto de décadas de crescente cooperação – venha sendo divulgado gradualmente pelos três governos, a mídia de Pequim, Teerã e Moscou reconheceu a cerimônia e a descreveu como a pedra fundamental de uma nova ordem multipolar.

O Irã e a Rússia já haviam concluído um Tratado de Parceria Estratégica Abrangente de 20 anos, concebido para aprofundar laços e atenuar o impacto das sanções ocidentais — um tratado assinado em janeiro de 2025 e que entrou em vigor no ano passado. Enquanto isso, Irã e China se encontram vinculados por um acordo de cooperação de 25 anos, assinado inicialmente em 2021, com o objetivo de expandir o comércio, a infraestrutura e a integração energética.

O que dá nova qualidade ao atual acordo é que ele combina explicitamente as três potências em uma estrutura coordenada, alinhando-as em questões que vão desde a soberania nuclear e a cooperação econômica até a coordenação militar e a estratégia diplomática.

O passo é considerado decisivo para agregar China, Irã e Rússia que possuem respectivamente 1,4 bilhão de habitantes, 93 milhões e 145 milhões e um PIB de US$ 20 trilhões; US$ 450 bilhões e US$ 613 bilhões, respectivamente. Ao apresentar uma frente unida, o pacto trilateral acelera a criação de mecanismos financeiros e rotas comerciais alternativas que reduzem cada vez mais a influência econômica ocidental.

O ponto central do acordo é uma posição unificada contra a reimposição de sanções ao Irã relacionadas ao seu programa nuclear, conforme o Plano de Ação Conjunto Global (JCPOA) de 2015. Os três governos já emitiram declarações conjuntas repudiando as tentativas europeias de acionar o mecanismo de “restabelecimento automático” de sanções e declararam o fim das considerações do Conselho de Segurança da ONU sobre o acordo nuclear.

O acordo se mostra de maior importância diante das ameaças norte-americanas de ataque e invasão.

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