Cilia Flores: a primeira-dama em uma cela em NY

Cilia Flores escoltada por policial nos Estados Unidos (Redes Sociais)

Medeia Benjamin chama neste Oito de Março a lutar pela libertação de Cilia Flores, a primeira dama seqüestrada por Trump junto com o presidente Maduro

Medeia Benjamin, fundadora e principal liderança da Codepink, uma entidade norte-americana que propugna pela paz e pelos direitos femininos, no Common Dreams homenageou Cilia Flores, esposa do presidente Maduro, sequestrados pelo regime Trump durante a incursão que matou cerca de 100 venezuelanos, civis e militares, ao raiar do novo ano. E que hoje está numa cela em Nova Iorque.

Medeia chamou à solidariedade com Cilia e com as mulheres venezuelanas em geral, convocando a tornar nossa causa “lutar pela liberdade dela”.

Ela registrou que no Dia Internacional da Mulher Trabalhadora em 2025, Cilia Flores, esposa do presidente venezuelano Nicolás Maduro, “leu um poema que escreveu destacando o papel histórico desempenhado pelas mulheres latino-americanas na luta contra o imperialismo:”

“Não somos flores que o vento pode colher,

somos raízes de uma terra rebelde e leal,

somos avós, mães, filhas, netas;

Somos mulheres.

Nosso sangue pulsa com as Manuelas,

Luisas, Josefas, Juanas, Cecilias,

Apacuanas, Bartolinas, Eulalias,

Martas, Anas Marías, Barbaritas

e tantos outros cujos legados nos

inspiram,

comprometem e fortalecem para continuar caminhando e trilhando nosso caminho.

E em nossas mãos e peitos

está acesa uma luz que ninguém jamais vai apagar:

amor, paz e liberdade.”

“Um ano depois, ela definha em uma cela em Nova York, tendo sido arrastada para fora de seu quarto e sequestrada pelas forças americanas no ataque de 3 de janeiro à Venezuela. As primeiras imagens após o sequestro mostraram seu rosto machucado. Depois soubemos que ela tinha costelas quebradas, 23 pontos na testa e saúde deteriorada sob custódia dos EUA.”

Flores não é uma primeira-dama comum, enfatizou Medeia. “Ela ganhou destaque pela primeira vez em 1992 como advogada de defesa de um grupo de oficiais militares venezuelanos que se levantaram contra o governo de Carlos Andrés Pérez, que havia massacrado milhares de pessoas no Caracazo de 1989 – motins nacionais após a imposição de medidas de austeridade neoliberais. Entre esses oficiais destacava-se Hugo Chávez, fundador da Revolução Bolivariana.”

“Em 1993, Cilia fundou o Círculo Bolivariano de Direitos Humanos e alinhou-se ao movimento revolucionário de Chávez. Em 2000, após ajudar Chávez a vencer eleições presidenciais consecutivas, ela foi eleita para a legislatura. Em 2006, tornou-se presidente da Assembleia Nacional, sendo a primeira mulher na história da Venezuela a ocupar o cargo.”

Flores ocupou cargos importantes no Partido Socialista Unido da Venezuela e se tornou procuradora-geral do país em 2012, cargo que deixou para liderar a campanha presidencial de Nicolás Maduro após o falecimento do presidente Chávez.

“Cilia casou-se com Nicolás, seu parceiro de longa data, após a eleição. Sentindo que o título de ‘primeira-dama’ não conseguia captar sua importância para a Revolução Bolivariana, seu marido a apelidou de primera combatiente, ou primeira combatente.”

Após atuar nos bastidores como conselheira-chave do presidente Maduro, ela concorreu à Assembleia Nacional e venceu em 2015, 2020 e 2025.

Hoje, ela enfrenta acusações de conspiração para importar cocaína, além de posse de metralhadoras e dispositivos destrutivos. “As acusações são absurdas.”

“A retórica do presidente Donald Trump sobre a Venezuela inundar os EUA com cocaína, e sua constante confusão de cocaína com fentanil (que não é traficada nem produzida na Venezuela), não têm base na realidade.”

Medeia disse ainda que “as alegações de tráfico de drogas serviram não apenas para desacreditar o governo venezuelano e seus líderes, mas também abriram caminho para o ataque de 3 de janeiro”, registrando que era ínfimo peso da Venezuela no tráfico para os EUA.

“Cilia Flores é uma das presas políticas mais proeminentes do mundo, mas a maioria das organizações de direitos das mulheres não disse uma palavra em sua defesa. Ela é deputada em exercício da Assembleia Nacional da Venezuela e desempenhou um papel fundamental no movimento que expandiu significativamente os direitos democráticos, econômicos e sociais no país.”

“Cilia está com a Palestina. Em uma conferência em novembro de 2023 na Turquia, ela disse: ‘Estamos testemunhando um genocídio… Vemos as vítimas em Gaza. Vemos a morte de crianças, mulheres, idosos e civis. Vemos vítimas civis saindo de suas casas destruídas, mas incapazes de sair da cidade porque estão em uma prisão ao ar livre.’”

Cilia – acrescentou a pacifista norte-americana – “trouxe o feminismo para a Revolução Bolivariana”. No Dia Internacional da Mulher Trabalhadora em 2023, ela ajudou a lançar uma missão social voltada para proteger as mulheres do pior da guerra econômica.

Na época, ela disse: “As mulheres venezuelanas mostraram que são a vanguarda. As mulheres representam mais da metade da população, mas também somos mães da outra metade, então formamos um todo. E nesta guerra que a Venezuela suportou, alcançamos a vitória e estamos firmes graças à participação das mulheres venezuelanas, que não ficaram apenas em casa cuidando das crianças, construindo suas famílias, mas também foram às ruas para defender a nação. Nossas mulheres são patriotas… E no próximo cenário, seja qual for, seremos vitoriosos porque as mulheres estarão na linha de frente de qualquer batalha.”

“Mal sabia ela que o próximo cenário seria uma cela de prisão nos Estados Unidos. Por solidariedade com Cilia, com as mulheres venezuelanas em geral, devemos fazer disso nossa causa lutar pela liberdade dela.”

“Relembrando seu belo poema acima, hoje nosso sangue pulsa com Cília.”

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