Orquestração contra as aposentadorias, investimentos e direitos sociais visa desviar ainda mais recursos da sociedade para a agiotagem
No mesmo dia em que o relatório de “Estatísticas Fiscais” do Banco Central divulga que os gastos com os juros da dívida brasileira consumiram R$ 1.007,6 trilhão em 2025, os parasitas do mercado financeiro, e seus porta-vozes na mídia, desencadearam uma orquestração por cortes de investimentos, na Previdência e nos direitos sociais.
Fizeram um escândalo sem tamanho na noite de sexta-feira (30) porque as contas primárias – sem contar as despesas com juros – não tiveram superávit. Elas fecharam o ano com um saldo negativo de R$ 55,021 bilhões em 2025. Um resultado, aliás, que está dentro da meta fiscal estipulada pelo governo para este ano.
JUROS FAZEM CRESCER A DÍVIDA
O boletim informou ainda que a dívida líquida do setor público chegou a R$ 8,311 trilhões em 2025, o que corresponde a 65,3% do PIB. O crescimento se deve, em especial, aos juros, mas nenhuma palavra é dita pela mídia pró-bancos sobre isso. Como se os pagamentos de juros devessem permanecer completamente fora do controle da sociedade e das autoridades.
Fizeram também um grande escândalo com a dívida bruta do governo geral (DBGG) – que contabiliza apenas os passivos dos governos federal, estaduais e municipais. Ela chegou a R$ 10,017 trilhões ou 78,7% do PIB. Parecia que o mundo ia desabar por causa disso. No entanto, essa relação dívida/PIB do Brasil é uma das menores entre os países desenvolvidos. Nos EUA, por exemplo, ela já passou de 120% e no Japão ela se aproxima dos 200% e nem por isso o mundo acabou. Eles seguem sem nenhum grande desastre por lá.
A Faria Lima, braço de Wall Street no Brasil, faz esse terrorismo todo com o crescimento da dívida pública mas não diz que ela está crescendo por causa dos juros lunáticos praticados pelo BC. Usam esse crescimento para fazer alerde e defender mais cortes sobre os investimentos e sobre o atendimento às necessidades da população, como Saúde, Educação, Segurança, etc.
E mais grave ainda. Os mais de R$ 1 trilhão sangrados do Orçamento Geral da União, dos estados e dos municípios em 2025 para remunerar os rentistas e demais agiotas são destinados a uma parcela ínfima da população, que não produz praticamente nada e vive de rendas sacadas com o desconto dos papéis públicos.
PREVIDÊNCIA SOCIAL
Já as “despesas” com a Previdência Social, violentamente atacadas pelo “jornalismo marrom” nesta sexta-feira (30), são destinadas a mais de 37 milhões de pessoas que trabalharam a vida inteira e contribuíram com seu trabalho para poderem receber seus proventos no final da vida. Esse dinheiro, diferente daquele que vai para a especulação financeira, estimula o consumo, o comércio e a produção, e faz a roda da economia girar.
Apesar disso, a cruzada contra o povo advoga a necessidade de mais arrocho sobre o país. Inventam rombos na Previdência, como se a União não tivesse obrigação constitucional de participar do sistema tripartite de financiamento da Seguridade Social. Chamam cinicamente a parte do Tesouro que vai para a Previdência Social de rombo. Não há rombo algum. O que há e o financiamento obrigatório da Seguridade Social. Eles mentem sem a menor cerimônia. Tudo para defender mais dinheiro para os bancos.
Defendem também uma outra reforma da Previdência, ou seja, mais sofrimento para a população. Querem a desvinculação das aposentadorias do salário mínimo para reduzir os valores recebidos pelos aposentados. Alardeiam mais restrições para que o trabalhador não consiga se aposentar e querem cortes no BPC (Benefício de Prestação Continuada), que é dirigido a idosos em situação de miserabilidade e sem as mínimas condições de sobrevivência.
MAIS ARROCHO
O cinismo é tão descarado que a orquestração desenterra múmias do carcomido neoliberalismo para defender mais arrocho sobre a população, mais desemprego e mais estagnação para a economia. Tudo para agradar os especuladores. Não fazem o contraponto. Não há gente séria ouvida nos telejornais. É um discurso monocórdico e mentiroso. Seu objetivo é criar confusão, espalhar fake news e desviar mais dinheiro público para financiar a ciranda financeira.
Não querem que o país cresça e se desenvolva. Defendem redução dos já parcos investimentos públicos nos setores produtivos e querem um salário mínimo e uma aposentadoria ainda menores. Não importa para essa gente que o salário mínimo do Brasil seja menor do que o do Paraguai e o segundo pior da América Latina. São parasitas que só pensam em enriquecer rapidamente e que se dane o país e o seu povo.
A demagogia do financismo sobre as estatais é ainda mais escandalosa. Fazem manchetes falsas com supostos “rombos das estatais”. O governo seguidamente desmente essas manchetes. Não é rombo. É o resultado fiscal das empresas no ano. É o resultado da despesas e receitas durante aquele ano. Isso às vezes traz um resultado negativo, mesmo que elas tenham obtido lucro. É importante saber que 90% das empresas estatais que apareceram com déficit nas contas do BC, na verdade, tiveram lucro.
Empresas que sustentam o desenvolvimento do país, como a Petrobrás e os Correios, são atacadas violentamente, exatamente por cumprirem suas obrigações. Ou seja, por investirem em bons serviços, no respeito aos direitos trabalhistas e no crescimento do país. Eles preferiam que elas, como é o caso da Petrobrás, reduzissem os investimentos e distribuíssem mais dividendos aos acionistas. Pressionam o tempo todo a Petrobrás neste sentido.
ENTREGUISMO
Os Correios, uma empresa que, por anos a fio deu lucro e transferiu recursos para o Tesouro, deveria, na opinião desses “consultores de aluguel”, ter sido privatizada. Bastou a empresa enfrentar uma dificuldade momentânea, causada, inclusive, pela decisão de entregar o filé mignon das encomendas para as empresas estrangeiras, para que os abutres defendam a sua venda. Esquecem de dizer que essas empresas estrangeiras que estão atuando no Brasil estão obtendo superlucros porque esfolam seus empregados “uberizados” e não respeitam nenhum direito trabalhista.
Ou seja, tudo pela especulação e nada para a produção, o consumo e o bem estar da população. Não por outro motivo, essa mesma orquestração pelo desmonte da economia nacional é feita também para que o Banco Central mantenha os juros escandalosos de 15% nominais, e cerca de 11% reais, no Brasil. O país é atualmente o vice-campeão mundial de juros reais. País nenhum do mundo suporta taxas de juros reais de 11%, como ocorre no Brasil. Ninguém investe com um juro desse tamanho e, com isso, o país se mantém estagnado. É exatamente isso que essa gente advoga. Estagnação com muita especulação financeira.
SÉRGIO CRUZ











