Levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), aponta um crescimento acelerado desse contingente no país ao longo de pouco mais de uma década. Apenas entre 2024 e 2025, o aumento foi de 11%, totalizando atualmente cerca de 365 mil pessoas nessa condição.
Os dados mostram que, de 2020 a 2021, período marcado pelo início da pandemia de covid-19, o número de pessoas nessa situação caiu de 194.824 para 158.191. A partir de 2022, porém, voltou a subir e vem crescendo de forma contínua desde então.
A maior concentração de pessoas vivendo nas ruas está na região Sudeste, que reúne 61% do total. São Paulo lidera a lista, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em segundo lugar aparece o Nordeste, com 54.801 pessoas em situação de rua.
Os coordenadores do estudo apontam pelo menos quatro fatores que ajudam a explicar esse aumento: o fortalecimento do Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) como principal instrumento de registro e acesso às políticas públicas; a ausência ou insuficiência de políticas estruturantes, como moradia, trabalho e educação; a precarização das condições de vida, especialmente após a pandemia; e movimentos de migração na América Latina.
Sobre o primeiro ponto, o coordenador do Observatório, André Luiz Freitas, explica que, embora haja um aumento real da população em situação de rua, o aprimoramento dos registros no CadÚnico permitiu que os dados se aproximassem mais da realidade, reduzindo a subnotificação.
“Em 2012, aproximadamente 10% dos municípios brasileiros alimentavam o CadÚnico com dados sobre a população em situação de rua. Hoje, são 60%. Tem ficado cada vez mais difícil maquiar os números”, afirma.
Ele também destaca a precarização das condições de vida agravada pela pandemia, que fez com que, mesmo após a redução registrada no início da crise sanitária, a situação se agravasse nos anos seguintes.
“O problema não está na população de rua, mas no governo, que não encara essa temática como deveria: com seriedade, dignidade e respeito”, afirma Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo.
Com aumento de 11% em um ano, Brasil registra 365 mil pessoas em situação de rua










