Com críticas a Claudio Castro, Paes oficializa saída da Prefeitura do Rio e entra na corrida eleitoral

Foto: Reprodução/X

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), deixou o cargo nesta sexta-feira (20) para entrar de vez na disputa pelo Palácio Guanabara, nas eleições de outubro. A renúncia foi oficializada em cerimônia no Palácio da Cidade, em Botafogo, quando transmitiu o comando da capital ao vice-prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), consolidando um movimento político que já vinha sendo desenhado desde o início do ano.

A saída de Paes ocorre após ele próprio ter se colocado, em janeiro, como pré-candidato ao governo do estado. Agora, a decisão se materializa com a troca no comando da prefeitura, abrindo caminho para uma campanha que tende a se estruturar em contraposição direta à atual gestão estadual.

Aos 31 anos, Eduardo Cavaliere assume a prefeitura e se torna o mais jovem a ocupar o cargo desde a fusão entre os estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 1975. Advogado, formado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele construiu sua trajetória recente como um dos principais quadros da gestão municipal — tendo sido secretário de Meio Ambiente, chefe da Casa Civil e, mais recentemente, eleito vice-prefeito na chapa de Paes em 2024.

No discurso de despedida, Paes adotou um tom que já sinaliza o embate eleitoral. Disse ter orgulho de ter sido prefeito “da mais maravilhosa e incrível de todas as cidades” e partiu para críticas diretas ao governo estadual, afirmando que “aqueles que estão no poder semeiam confusão e desalento”.

Ele também reforçou sua leitura sobre a responsabilidade na área de segurança pública, buscando marcar posição no debate que deve dominar a disputa pelo governo.
“Eu tenho a convicção que, salvo na questão da segurança pública, até de competência primária do governo do Estado, vocês não verão o governador ano que vem empurrando a responsabilidade da segurança pública para a presidente da República, para a prefeitura.”

Ao fazer um balanço da própria gestão, Paes destacou o que chamou de “avanços significativos” ao longo de pouco mais de um ano do atual mandato. Entre eles, mencionou mudanças no sistema de transportes e o enfrentamento de interesses privados historicamente enraizados no setor.
“Nos transportes, a gente acabou com a caixa preta da máfia, devo muito nisso ao poder, especialmente, ao Tribunal de Justiça e ao Ministério Público, que nos acompanharam.”

Na saúde, afirmou que houve ampliação de serviços públicos e retomada de estruturas federais que estavam sucateadas. Citou a criação do Super Centro Carioca de Saúde, na Zona Oeste, “com direito ao Ozempic”, além de afirmar que a gestão municipal fez “renascer” os hospitais federais do Andaraí e Cardoso Fontes, agora sob responsabilidade da prefeitura — um movimento que reforça o papel do poder público na reconstrução de políticas essenciais.

Já no primeiro discurso como prefeito, Cavaliere buscou sinalizar continuidade e alinhamento político com a gestão anterior, destacando valores pessoais e compromisso com a cidade.
“O que eu sinto aqui dentro de mim é responsabilidade, amor profundo por esse lugar, vocação, gratidão e o enorme orgulho de ser carioca.”

Ele também apresentou algumas diretrizes iniciais, como a promessa de reajustes salariais anuais para servidores municipais e mudanças no carnaval carioca, defendendo a ampliação do Grupo Especial para 15 escolas.
“Vamos avançar nesse acordo com a Liga das Escolas de Samba, do Grupo Especial e, obviamente, também fica a minha sugestão para que convide Estácio de Sá, União da Ilha e Império de Serrano para se juntarem a minha Mangueira e a sua Portela, no Grupo Especial.”

A renúncia de Paes, no entanto, representa uma inflexão importante em relação ao compromisso assumido durante a campanha de reeleição, em 2024, quando afirmou que permaneceria no cargo até o fim do mandato.
“Eu me comprometo com o eleitor da minha cidade em ficar até o fim do mandato se for reeleito”, disse à época.

Este foi o quarto mandato de Paes à frente da prefeitura do Rio. Nos anteriores — entre 2009 e 2012, 2013 e 2016, e de 2021 a 2024 — ele cumpriu integralmente os quatro anos de gestão. Desta vez, opta por deixar o cargo antes do término para tentar ampliar sua atuação política no estado.

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