“Ao longo de 2025, à exceção da alta tecnologia, todas as demais faixas da indústria de transformação apontaram redução do nível de atividade, com duas delas terminando o ano no vermelho”
O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) afirma que “o dinamismo industrial brasileiro, que havia ganhado tração em 2024, não resistiu ao quadro de elevadas taxas de juros de 2025 ”. A análise sobre a quadro da indústria por intensidade tecnológica foi divulgada na sexta-feira (6).
“Em 2025, o nível de atividade da indústria de transformação foi bastante restringido pela conjuntura de elevadas taxas de juros no país. Tanto o PIB do setor como sua produção física encolheram -0,2%, interrompendo a retomada que havia marcado em 2024, quando essas variáveis acumularam expansão de quase 4%. O último trimestre do ano passado aponta para um quadro industrial ainda mais difícil, indicando perda da ordem de -2%”, alerta o Iedi.
Em 2025, a indústria de transformação viu o seu PIB declinar -0,2%. A produção deste que é o principal componente da indústria geral “retrocedeu nas comparações seja com novembro (dados dessazonalizados), taxa de -1,9%, seja com dezembro de 2024, variação de -1,0%”, aponta o Iedi. “No contraponto entre quartos trimestres de 2025 e do ano anterior, a retração foi ainda maior, de 1,9%. Tal queda concorreu para o sinal negativo na performance do ano, taxa de -0,2% em relação a 2024”.
O Iedi alerta para o movimento de retrocesso da indústria nacional, quando observada a intensidade tecnológica das atividades industriais, com base nos parâmetros difundidos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). No ano passado, a indústria extrativa – ramo classificado pela OCDE como de média-baixa tecnologia – foi quem respondeu pelo crescimento da indústria geral (+0,6%).
Pela OCDE todos os ramos da indústria de transformação descritos na PIM-PF (Pesquisa Industrial Mensal: Produção Física)do IBGE estão distribuídos nas faixas de alta, média-alta, média e média-baixa intensidade tecnológica. Já as atividades de extração mineral são de média-baixa intensidade tecnológica.
Com base nas variações da produção física da indústria geral por intensidade tecnológica obtidas para junho 2025, com foco nas comparações entre mês, quarto trimestre e acumulado do ano e seus equivalentes de 2024, o Iedi aponta que o segmento de alta intensidade tecnológica sofreu retração.
No acumulado do ano, a alta tecnologia registrou -0,7%, na esteira dos baixos desempenhos da fabricação de aeronaves (-4,0%) e do complexo eletrônico (-3,1%), com destaque para informática (-10,3%). Na média-baixa, houve queda de -1,4%, em grande medida devido a derivados de petróleo (-5,3%) e produtos de metal (-2,2%).
“A parcela da média-baixa referente à indústria extrativa”, segundo o IEDI, “se saiu muito melhor, crescendo +4,9%. Esta contribuição não apenas ajudou o grupo total da média-baixa evitar o sinal negativo (+0,1%) como também amorteceu a desaceleração da indústria geral (+0,6%), que é a soma de extrativa e transformação”.
Os grupos industriais de média tecnologia, que representam um terço da indústria nacional, mantiveram avanços nas suas produções, mas apresentaram desempenhos distintos em 2025, assinala o instituto. Enquanto a indústria de média-alta tecnologia sofreu uma forte desaceleração (de +6,8% em 2024 para apenas +1,5% em 2025), puxada pela estagnação do setor automotivo (+0,2%), a indústria de média intensidade tecnológica manteve o ritmo de crescimento (+2,3% e +2,8% respectivamente).
“A maior parte de seus componentes perderam tração, mas a atividade de manutenção e reparação de máquinas e equipamentos (+9,6%) compensou muito disso”, destaca o Iedi.
“Ao longo de 2025, à exceção da alta tecnologia, todas as demais faixas da indústria de transformação apontaram redução do nível de atividade, com duas delas terminando o ano no vermelho”, ressalta.
“A indústria de média-alta foi quem pisou mais fortemente no freio”, diz, “Iniciou o ano de 2025 com alta de +7,9% em jan-mar e terminou o ano em declínio de -3,4% em out-dez. A indústria automobilística foi o principal fator desta involução (de +8,8% para -7,9%), mas químicos (de +5,2% para -3,3%) e máquinas e aparelhos elétricos (de +7,7% para -5,5%) também contribuíram para essa queda de desempenho da indústria de média-alta”.
A indústria de transformação de média-baixa saiu de +0,3% no 1º trimestre para -2,3% no 4º trimestre do ano passado, afetada principalmente por produtos de metal (de +4,3% para -6,0%), têxteis, vestuário e calçados (de +4,2% para -2,0%), e derivados de petróleo (-8,5% no 4º trimestre de 2025). Segundo o Iedi, a produção de alimentos saiu de um resultado negativo de -0,5% para +3,5%, “amortecendo um pouco esta tendência”.
Já a indústria de média tecnologia, apesar de crescer +1,3% no quarto trimestre de 2025, viu seu ritmo caindo para 1/3 do que era na entrada do ano (+3,8% em jan-mar/25). Contribuiu para isso, “a manutenção e reparação de máquinas, como visto anteriormente, podendo estar refletindo decisões de adiamento de investimentos em novas máquinas devido ao elevado custo de capital”, ressalta o Iedi. “Quem ajudou a esse grupo a não perder tanto dinamismo foi o ramo de borracha e plástico, que chegou ao 4º trim/25 com expansão de +1,5%”.
Por último, a indústria de alta tecnologia saiu de -1,0% no primeiro trimestre de 2025 para +0,8% no último trimestre, “com o reforço do resultado do setor farmacêutico, que na segunda metade do ano acumulou dois aumentos expressivos, de +11,4% no 3º trim/25 e +6,4% no 4º trim/25”.











