Dono do Master se envolveu com bolsonaristas em Brasília, Rio e São Paulo e deu um calote de mais de R$ 50 bilhões na praça
O Banco Central determinou nesta quarta-feira (18) a liquidação do Banco Pleno, antigo Indusval, fundado em 1967, e que se transformou em mais uma arapuca ligada à teia financeira montada pelo Banco Master.
Segundo o Banco Central, a liquidação do Banco Pleno foi adotada após o agravamento da situação econômico-financeira da instituição, que passou a ter dificuldade para pagar suas obrigações no dia a dia. Com a liquidação, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) terá que desembolsar mais R$ 4,6 bilhões aos cerca de 160 mil clientes do banco.
O Pleno era dirigido por Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master. Em meados de 2025, já no meio ao escândalo envolvendo o Master, os dois decidiram romper a sociedade. Augusto Lima ficou com o Banco Pleno. A operação foi autorizada pelo BC poucos dias antes da liquidação do Master..
Augusto Lima tinha sido preso preventivamente junto com Vorcaro durante a Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, deflagrada em novembro do ano passado para investigar os crimes financeiros do grupo e outros lavadores de dinheiro para o crime organizado.
No início de 2024, os controladores do Pleno, então com nome de Voiter, anunciaram negociações com Daniel Vorcaro, sem divulgar os valores envolvidos. O acordo previa a transferência de controle e a incorporação das áreas de atacado, corretora e gestoras ao conglomerado do Master.
O BC acabou intervindo no Master e o presidente Lula exigiu punição severa a todos os golpistas. Com esta orientação, a PF prendeu o banqueiro e seus cúmplices. No decorrer das investigações ficou claro o envolvimento dos bolsonaristas com diversas ações criminosas de Daniel Vorcaro.
Na ocasião, o Brasil assistiu ao escândalo da injeção de R$ 12 bilhões do BRB no Master às vésperas da liquidação do banco, numa operação autorizada pelo governador bolsonarista Ibaneis Rocha. Esta negociata provocou um rombo que pode chegar a R$ 5 bilhões no banco público de Brasília. O rombo poderá ser coberto com recursos do contribuinte, através do Fundo Constitucional de Brasília.
O país assistiu também estarrecido à aplicação de R$ 1 bilhão dos aposentados do Rio de Janeiro no banco pré-falido de Vorcaro, numa operação autorizada pelo governador Cláudio Castro, seguidor de Jair Bolsonaro. Sem falar do empenho do senador Ciro Nogueira, líder dos bolsonaristas no Senado, para que a negociata com o BRB fosse consumada. O senador chegou a ameaçar o diretor do BC que barrou a venda do Master ao BRB.
Mais escandaloso ainda foi a venda da Emae, empresa de água de São Paulo, pelo governador Tarcísio de Freitas. Logo após ser privatizada, a Emae injetou R$ 160 milhões no Banco Master, de Daniel Vorcaro. Lembrando que Vorcaro foi o maior doador, através de seu cunhado Fabiano Zettel, da campanha de Tarcísio ao governo de São Paulo. Ele também doou R$ 3 milhões para a campanha de Jair Bolsonaro à presidência em 2022.
Há também a ligação de Nikolas Ferreira, um dos bolsonaristas mais histéricos da Câmara dos Deputados, com Daniel Vorcaro. Vejam que coincidência. A igreja evangélica Lagoinha, em Belo Horizonte, de onde Nikolas não arreda o pé, criou o Clava Forte Bank. Parece estranho, mas é isso mesmo, a igreja criou um banco que está funcionando dentro da própria Igreja, a Igreja da Lagoinha.
Esse banco e essa igreja estão sendo investigados tanto pela PF como pela CPMI do INSS. Há a suspeita de que o banco da Lagoinha faça parte da rede de fintechs que foram usadas pelo banco Master para descontos ilegais no INSS. A Lagoinha é uma das igrejas citadas pela senadora Damares Alves como participantes de ações criminosas contra aposentados. Por isso, ela está sendo investigada na CPMI do INSS. A investigação tem ligação com a atuação do Clava Forte Bank.
Mas as coincidências não param por aí. Daniel Vorcaro é cunhado do Zettel, que é pastor da Lagoinha. E vejam, Vorcaro foi apresentador de um programa chamado Supersônica, na Reode Super, uma emissora de TV que pertence à Igreja Lagoinha.
Diante de uma teia como essa, criada por Daniel Vorcaro, envolvendo diversos bolsonaristas, e viabilizando a manipulação grosseira de recursos públicos, fica ridícula a orquestração de parte da mídia, de que Augusto Lima seria ligado ao PT e ao governo da Bahia. Isso pelo fato do Banco Pleno possuir consignados de servidores do estado. É só analisar o comportamento de Lula, que exige apuração rigorosa de tudo, e o silêncio ensurdecedor do candidato bolsonarista em 2026, sobre o Master, para se chegar a uma conclusão clara sobre tudo isso.











