Funcionário de Trump disse que Casa Branca não quer o maior parceiro comercial do Brasil no Porto de Santos
O Cônsul dos EUA em São Paulo, Kevin Murakami, fez, no último dia 15 de março, graves ameaças ao Brasil, caso o país autorize a China a participar de uma licitação internacional de um terminal no Porto de Santos.
O norte-americano se sentiu no direito de afirmar que o terminal Tecon 10 do Porto de Santos tem importância estratégica para os EUA. Ele manifestou preocupações do governo de seu país com participação de empresas da China, o país que é o principal parceiro comercial do Brasil, no Porto de Santos.
O Tecon 10 é considerado um dos maiores projetos de infraestrutura portuária previstos no Brasil. Ele vai colocar o Brasil na condição de terceiro país com maior movimentação de contêiners do mundo.
A declaração do diplomata é uma intromissão indevida nos assuntos internos do Brasil. O governo Lula já demonstrou, como o fez no recente episódio do tarifaço unilateral de Trump, que o país não tolerará nenhuma afronta à soberania brasileira.
É o Brasil que decide se manterá o terminal nas mãos do Estado – que, aliás, seria uma boa alternativa – ou se prefere realizar uma licitação para permitir a participação de empresas privadas na ampliação e gestão do terminal. É também o Brasil que define o modelo de licitação e quem pode e quem não pode participar do processo. Isso é uma questão básica de soberania.
Os EUA não têm o direito de barrar as relações do Brasil com qualquer país, principalmente achar que pode barrar a presença da China numa licitação brasileira. O funcionário de Trump tem que saber que o Brasil não é e não será quintal de ninguém, muito menos dos EUA.
A declaração foi dada durante palestra realizada em Santos no dia 5 de março, em evento promovido pelo Grupo A Tribuna, principal conglomerado de comunicação da Baixada Santista. Três empresários do setor portuário que acompanharam o encontro confirmaram que Murakami se referiu à “importância estratégica” de Santos para os EUA. O Porto de Santos tem importância estratégica sim, mas é para o Brasil e não para os EUA. Não há dúvida que o funcionário extrapolou e muito.
O Brasil já demonstrou que não se deixará arrastar por Trump para suas artimanhas com vistas à tentar submeter a América Latina aos seus interesses mesquinhos e gananciosos. Mesmo usando pretextos falsos de um suposto combate ao narcotráfico, o que eles visam, na verdade, é trazer desavenças, conflitos, violência e agressões externas para uma região que vive e quer continuar vivendo em paz.











