Corroída pelos juros elevados, venda da indústria de máquinas cai 19,3% em janeiro

Em relação a janeiro de 2025, queda foi de 17%. (Foto: Agência CNI)

“São reflexo da política monetária contracionista que vem comprometendo a renda, inibindo investimentos, encarecendo custos das dívidas, levando empresas e famílias a níveis elevados de inadimplência”, aponta Abimaq

A indústria de máquinas e equipamentos iniciou 2026 em desaceleração. A Receita Líquida Total (soma das vendas no mercado interno + exportações), no mês de janeiro, foi de R$ 17,3 bilhões, montante menos 19,3% em relação a dezembro de 2025 e de menos 17% em relação a janeiro de 2025.

O recuo veio tanto nas vendas domésticas (-19%) quanto das externas (-10,8%), “refletindo ambiente de crédito restritivo e uma economia em desaceleração das atividades produtivas”, assinala a Associação Brasileira de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), na divulgação dos resultados do setor do mês de janeiro, nesta terça-feira (03).

No acumulado dos últimos doze meses, encerado em janeiro, as receitas totais atingiram R$ 297 bilhões ou 4,8% acima do mesmo acumulado encerrado em 2025.

Segundo a entidade, a queda nas Receitas Líquidas de Vendas (vendas domésticas) “são reflexo da política monetária contracionista (Selic a 15%) que vem comprometendo a renda, inibindo investimentos, encarecendo custos das dívidas, levando empresas e famílias a níveis elevados de inadimplência”.

No acumulado de doze meses, a receita líquida registrou expansão de 5,1%, mas manteve a tendência de desaceleração iniciada em setembro de 2025, quando o setor acumulava crescimento de 10,9%.

As exportações de máquinas e equipamentos atingiram US$ 838 milhões em janeiro de 2026, com queda de 41,4% em relação ao mês anterior, mas crescimento de 3,1% frente ao mesmo mês de 2025. No acumulado de 12 meses, mantiveram variação positiva. No entanto, o cenário internacional permanece incerto, de um lado pela desaceleração global, de outro pela maior fragmentação comercial.

Para os Estados Unidos também houve queda em relação ao mês de dezembro do ano passado, mas crescimento em relação ao mesmo mês de 2025. A expectativa é que com a decisão da Suprema Corte dos EUA, que invalidou parcela relevante das tarifas impostas pelo governo Trump, as exportações brasileiras voltem a uma situação parecida de antes do tarifaço.

As importações em janeiro foram de US$ 2,5 bilhões. Menos 16% em relação a dezembro e -10,3% sobre janeiro de 2025. No acumulado de 12 meses, no entanto, temos um crescimento de 5,6%, somando US$ 31,9 bilhões

O déficit comercial de máquinas e equipamentos (exportações – importações) permaneceu elevado, acima de US$ 18 bilhões, evidenciando a forte presença de fornecedores externos e maior pressão competitiva sobre a indústria nacional.

“O tema merece destaque por se tratar de avanço estrutural das importações. Em 2025, as compras externas totalizaram US$ 32,2 bilhões, crescimento de 8,2%, superando o recorde anterior, registrado em 2013. O dado revela que o país vem transferindo parcela relevante do dinamismo industrial para o exterior”, afirma a Abimaq em seu Relatório Setorial do mês.

O nível de utilização da capacidade instalada do setor de máquinas e equipamentos atingiu 78,6% em janeiro de 2026, valor 4,0% superior ao observado em jan25 (73,2%). A carteira média de pedidos ficou ao redor de nove semanas, sugerindo estabilidade no curto prazo, mas indicando risco de maior ociosidade caso o ritmo de novos contratos não se fortaleça.

O setor de máquinas e equipamentos registrou melhora no número de pessoas empregadas no mês com 418,9 mil trabalhadores. Na comparação com janeiro de 2025 o setor teve um acréscimo de mais de 18 mil pessoas.

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