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Cortes no Medicaid, na assistência nutricional federal, entre outras medidas que retiram benefícios essenciais a dezenas de milhões de norte-americanos de baixa renda, estão sendo votadas no Congresso dos EUA. Com esse desvio de recursos pretendem adotar mais cortes de impostos em trilhões de dólares para os mais ricos.
A proposta de orçamento do partido de Trump prevê cortes de 1,5 a 2 trilhões de dólares em despesas na próxima década, sendo que 880 bilhões de dólares provêm apenas do Medicaid, programa de assistência médica para os mais pobres e deficientes que existe há mais de cinco décadas nos EUA. A ajuda federal à educação seria cortada em 80%. Os gastos com cupões de alimentação seriam drasticamente reduzidos, assim como a fiscalização do Departamento do Trabalho contra as empresas que infringem a lei, entre outras despesas.
Embora alguns republicanos da Câmara tenham expressado preocupações sobre a escala dos cortes nos programas sociais na resolução orçamentária, particularmente no Medicaid, elas não passaram de demagogia e propaganda enganosa. Os membros republicanos do painel de regras rejeitaram na segunda-feira (24) as emendas democratas destinadas a impedir cortes no programa de saúde, bem como no Programa de Assistência Nutricional Suplementar (SNAP) e outros gastos.
“Os republicanos não podem ter as duas coisas — eles não podem alegar defender seus eleitores no SNAP e no Medicaid e rejeitar emendas que fariam exatamente isso”, disse o deputado Gabe Amo, que patrocinou as mudanças propostas. “Minhas emendas de bom senso teriam apoiado esses dois programas-chave que alimentam crianças famintas e cuidam de americanos doentes. Os democratas deram aos republicanos várias chances de ficar do lado da maioria em vez dos ricos. Eles recusaram várias vezes. Vou continuar a fazer de tudo para impedir que esses cortes se tornem realidade.”
CORTES “RESULTARIAM EM DANOS GENERALIZADOS”
A votação do comitê ocorreu depois que uma análise da organização de pesquisa e política apartidária que promove políticas sociais federais e estaduais, o Centro de Orçamento e Prioridades Políticas (CBPP), ter concluído que os cortes do SNAP propostos pela resolução do Partido Republicano na Câmara “resultariam em danos generalizados”, potencialmente tirando benefícios de “mais de 9 milhões de pessoas de baixa renda”.
“Cortes profundos no SNAP piorariam a insegurança alimentar, prejudicariam os negócios locais e enfraqueceriam a capacidade do SNAP de gerar empregos em todos os estados. O SNAP é altamente eficaz na redução da insegurança alimentar e da pobreza, e a pesquisa vincula a participação no SNAP a melhores resultados de saúde e menores custos de assistência médica”, observou o CBPP. “Independentemente de como os legisladores imponham US$ 230 bilhões ou mais em cortes ao SNAP, esses cortes tornariam mais difícil para as famílias de baixa renda em todos os Estados pagarem por mantimentos, piorando a insegurança alimentar e as dificuldades. Cortar os orçamentos de mantimentos das famílias de baixa renda também reduziria a receita de milhares de empresas em todos os estados, com efeitos cascata em toda a cadeia de suprimentos de alimentos”, assinalou.
O CBPP avaliou anteriormente que os planos dos republicanos da Câmara para o Medicaid — especificamente sua iniciativa de impor requisitos de trabalho — poderiam colocar 36 milhões de americanos em risco de perder a cobertura de saúde.
OPOSIÇÃO NO CONGRESSO
Espera-se que os democratas se diferenciem dos republicanos e se oponham à resolução orçamentária, deixando o presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, com margens muito apertadas para aprovar a medida e seguir adiante com a agenda legislativa trumpista.
“Nós nos negamos a permitir que Donald Trump e o seu amigo multimilionário não eleito, Elon Musk, que, quando chegou aqui era indocumentado, façam este projeto de lei para ‘distraí-los’ do seu recorte
de impostos de 4,5 bilhões de dólares”, afirmou a deputada Pramila Jayapal, democrata de Washington. “Não podemos permitir que sejam utilizados como bodes expiatórios e criminalizem os imigrantes através do projeto de orçamento. Os imigrantes somos nós”, apontou Pramila, de origem indiana.
“Em 2022, as famílias imigrantes pagaram 579 bilhões de dólares em impostos, grande parte em retenções federais para a Segurança Social e Medicare”, acrescentou. “A empresa de Elon Musk não pagou nada. Ele pagou pessoalmente 3,5% do seu rendimento em impostos, muito menos do que os contribuintes comuns”, frisou a deputada.
“O projeto de lei que os republicanos da Câmara estão apresentando é um presente para os doadores bilionários de Trump, pago por americanos trabalhadores que já estão sentindo o calor dos altos preços na América de Donald Trump”, disse Tony Carrk, diretor executivo do grupo de vigilância Accountable. US, grupo progressista de vigilância e defesa dos pacientes, em uma declaração na segunda-feira (24). “Neste projeto de lei, os republicanos estão dizendo a parte silenciosa em voz alta: bilionários, grandes empresas e interesses especiais não só merecem uma redução de impostos, mas que ela deve ser paga por americanos comuns”, assinalou.
“LUTEM CONTRA A GANÂNCIA DAS CORPORAÇÕES”
“Para muitos americanos, esse projeto de lei só aumentará seus custos diários, desde seus cuidados de saúde até suas compras de supermercado. “Simplificando: o projeto de lei é uma traição à promessa que todo republicano fez há apenas alguns meses de reduzir custos”, concluiu Carrk.
“Estamos levantando as nossas vozes pelos contribuintes à porta do Capitólio”, afirmou a deputada Becca Balint, democrata do Estado de Vermont. “Estamos legislando, questionando e agitando nas ruas contra o projeto de orçamento de Trump e o Partido Republicano e os cortes de Musk-Trump. Os republicanos não pensam nas pessoas comuns, nunca… Não percam de vista o objetivo e lutem contra a ganância das corporações”, conclamou, mostrando que a disputa está se acirrando no parlamento e nas ruas dos EUA.