Imigrantes, presos pela polícia de imigração americana, o ICE (Serviço de Imigração e Fiscalização Aduaneira dos EUA), começaram uma rebelião em protesto por seu encarceramento, cantando por “Liberdade” e “Nos deixem sair”, no centro de detenção no Texas, como relatou o advogado de apoio aos imigrantes, Eric Lee.
No sábado (24), o presídio que abriga na maioria mulheres e crianças imigrantes foi repentinamente fechado para visitantes e os advogados de imigração. Eles estavam presentes e foram afastados do local por conta de um “incidente ocorrido” na prisão.
O advogado Eric Lee que estava no local, relatou ter ouvido gritos altos que descreveu como sendo de centenas de crianças presas no local.
Ele disse que quando retornou, seus clientes disseram que o protesto era por causa do tratamento desumano dado a Liam Conejo Ramos, de 5 anos, sequestrado de Minnesota pela ICE, junto com seu pai na semana passada.
“Grande manifestação dos detidos no Dilley Family Detention Center! Fui expulso de visita de advogado. Centenas cantam o que soa como “deixem-nos sair! Deixe-nos sair!”, postou Lee.
Testemunhas relataram que um adulto na casa de Liam implorou para os agentes deixarem a criança livre, vizinhos se ofereceram para cuidar da criança, mas mesmo assim os agentes da ICE sequestraram o garoto.
“Houve uma ampla oportunidade de poder entregar com segurança essa criança para adultos”, disse disse Mary Granlund, presidente do Conselho Escolar de Columbia Heights. Funcionários da escola de Liam também disseram que o garoto foi usado de refém pelos agentes para fazer as pessoas em sua casa se entregarem.
O ‘Centro Residencial da Família do Sul do Texas’ onde que o garoto Liam está preso, o maior presídio para famílias de imigrantes nos EUA. Foi aberto em dezembro de 2014, na cidade de Dilley, com capacidade máxima de 2.400 imigrantes detidos, na maior parte mulheres e crianças.
O governo americano o fechou em 2024, mas em 2025 com o retorno de Donald Trump à Casa Branca foi reaberto com um contrato com a empresa operadora de presídios privatizados, CoreCivic, eles então renomearam o presídio para ‘Centro de Processamento de Imigração de Dilley’.
Com um contrato de 5 anos e $160 milhões de dólares por ano, para voltar as operações de encarceramento em massa de imigrantes, CoreCivic então expandiu seu tamanho, incluindo outros “centros de detenção” como o ‘Complexo de Detenção do Condado de Reeves’ e ‘Camp East Montana’.
A Associated Press tirou imagens aéreas do campo de concentração americano e registrou crianças e adultos segurando cartazes com “Libertad para los niños” e cantando por “Libertad” e “Nos deixe sair”.
ROTINA DE ABUSOS E CONDIÇÕES DESUMANAS
Grupos de direitos humanos estão denunciando maus tratos perpetrados pela ICE do governo federal americano, imigrantes presos no Forte Bliss no Texas estão sendo tratados em um regime de abusos físicos, estupros e privação de necessidades básicas.
Um relatória de investigação apoiado pela União Americana de Liberdades Civis (ACLU) e pela Human Rights Watch, que tem 19 paǵinas e apontam uma catástrofe humanitária ocorrendo na base militar de El Paso, que serviu de campo de internação japonês durante a 2ª Guerra Mundial.
Mais de 80 violações de direitos humanos foram documentadas. De torturas como o “esmagamento dos testículos” de imigrantes presos ao espancamento tão severo de um jovem que ele precisou de cuidados médicos e sofreu perda de audição.
De privação de alimentação adequada, artigos de higiene pessoal, cuidados médicos à espancamentos e violência sexual foram relatados por ativistas sobre os imigrantes presos no Fort Bliss.
“Uso de força extrema e ilegal também é prominente no Fort Bliss. Vários indivíduos detidos descreveram violentos ataques de oficiais, incluindo abuso sexual. Igacio, Samuel e outros relataram oficiais esmagando seus testículos durante espancamentos – uma tática usada enquanto a vítima já estava imobilizada ou se recusavam a serem coercivamente removidos pra o México. Abel, Benjamin e Eduardo também relataram ter sido derrubados no chão, pisados ou espancados quando expressaram medo de serem enviados para o México ou quando simplesmente pediam por medicamentos. Esse não são incidentes isolados, eles refletem um padrão de brutalidade que violam até os mínimos padrões do ICE,” divulgaram na conta do X do grupo ‘Pamphlets’, que divulga denúncias a direitos humanos.











