
Ministro de Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, repudiou a movimentação militar dos EUA, como ameaça à soberania e autodeterminação dos povos da América Latina e do Caribe
O Ministro cubano afirmou que a presença de forças navais dos EUA, incluindo submarinos nucleares e unidades ofensivas, constitui “uma demonstração agressiva de força” que viola a Proclamação da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), que declarou a região uma Zona de Paz em 2014.
Washington alega supostos vínculos entre o governo de Nicolás Maduro e organizações do narcotráfico, uma acusação que Cuba chamou de “pretexto absurdo e infundado”, sem base na realidade e que foi veementemente rejeitada por vários países e centenas de organizações.
Em declaração oficial, Cuba enfatizou que nem mesmo a própria Agência Antidrogas dos EUA (DEA) inclui a Venezuela em seu relatório de 2025 como facilitadora de drogas para os EUA, o que é especificamente declarado em um relatório das Nações Unidas que certifica que o país sul-americano não possui plantações ilícitas nem laboratórios de processamento de drogas.
O posicionamento oficial de Havana ocorreu após o recente deslocamento militar ordenado pelo governo de Donald Trump no sul do mar do Caribe, próximo às costas da Venezuela. Sob a suposta justificativa de “combater o narcotráfico”, trata-se da maior mobilização militar na região em décadas, envolvendo três navios destroyers e cerca de 4.500 soldados.
ONU APONTA EUA COMO O MAIOR MERCADO DE ENTORPECENTES
Destacando o Relatório Global de Drogas 2025, emitido pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime, que apontou os Estados Unidos como “o maior mercado de entorpecentes da região e, possivelmente, do mundo”, o Ministério cubano denunciou que Washington recorre novamente à mentira “para justificar a violência e o saque”, enquadrando o deslocamento militar como uma tentativa renovada de impor a Doutrina Monroe.
Ao mesmo tempo, lembrou que falácias desse tipo já foram usadas no passado para justificar guerras, citando como exemplo a invasão do Iraque sob o argumento das supostas armas de destruição em massa, que provocou “a morte de centenas de milhares de cidadãos e o deslocamento forçado de número semelhante”.
O Governo cubano afirmou ainda que os enormes lucros advindos do narcotráfico nos Estados Unidos “incitam a criação e operação de redes de tráfico de drogas na América Latina e no Caribe”, enquanto a indústria de armas do país — “com seus privilégios descontrolados para comercialização” — alimenta o poder de fogo das organizações criminosas da região. Havana alertou ainda que a falta de atenção do governo estadunidense às causas internas, que geram esses flagelos, “só agravará seu impacto regional”.
A declaração ressaltou que a medida da Casa Branca “ignora o compromisso dos 33 países membros da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos de proclamar a região como Zona de Paz”. Além disso, condenou as absurdas acusações do governo Trump contra o presidente venezuelano Nicolás Maduro, a quem tenta vincular ao narcotráfico no intuito aberto de derrubá-lo.
No dia 7 de agosto, o Departamento de Estado dos Estados Unidos — liderado pelo ultradireitista Marco Rubio — anunciou que dobraria a recompensa por “informações que levem à prisão de Maduro”, elevando-a para US$ 50 milhões e acusando-o, sem apresentar nenhum tipo de provas, de ser “um dos maiores narcotraficantes do mundo”.
Pouco antes desse agressivo deslocamento armado, Trump havia reclamado “por que não estamos em guerra com a Venezuela? Eles têm todo esse petróleo e estão na nossa porta dos fundos”, em 2017, durante reunião com pessoal da Inteligência, conforme registrado pelo ex-diretor do FBI, Andrew McCabe, em seu livro “The Threat” (A Ameaça).