Para transformar o país em base dos EUA, marionete Noboa deu 48 horas para que todos os representantes cubanos abandonassem o país
O Ministério de Relações Exteriores de Cuba condenou nesta quarta-feira (4) “nos termos mais enérgicos” a decisão do governo do Equador de declarar “persona non grata” ao seu embaixador em Quito, Basilio Antonio Gutiérrez García, e ordenar a expulsão de todo o pessoal diplomático, consular e administrativo da ilha caribenha.
Conforme Havana, a atitude veio num contexto de reforço das hostilidades ianques contra países soberanos e independentes no continente. “Não parece coincidência que a medida tenha sido tomada num contexto caracterizado pelo reforço da agressão dos Estados Unidos contra Cuba e pela forte pressão do governo desse país sobre terceiros Estados para aderirem a essa política, poucos dias antes da Cúpula que se realizará em Miami, no dia 7 de março”, afirmou a chancelaria.
O objetivo é claro, esclareceu: aumentar ao extremo as hostilidades contra quem trilha um caminho próprio, à medida que se aproxima da cúpula “Escudo das Américas” convocada por Trump, varrendo qualquer resquício de democracia e autossuficiência. Na avaliação de Washington, a presença da China ameaça os seus interesses monopolistas na região, colocando em xeque a superexploração de recursos naturais, abastecimento de alimentos e o controle de portos. A interrupção do avanço de Pequim passou a ser considerada uma prioridade do ditador da Casa Branca.
Em oposição à decisão do povo equatoriano, que votou contra a transformação do país em base militar estadunidense, o governo Noboa, deu um prazo de 48 horas para os cubanos. Diante da agressão, que atenta contra o direito internacional, a chancelaria assinalou que a ordem, sem qualquer base legal ou justificativa, atenta contra os princípios de convivência entre os Estados.
Enfrentando forte rejeição, a marionete tentou minimizar a afronta dizendo que a presença dos soldados de Trump no principal porto pesqueiro do Equador, um dos mais estratégicos para o comércio exterior, é uma “operação temporária”, sem dizer nem quantos são nem até quando ficam.
SERVILISMO DE NOBOA IGNORA AMPLO RECHAÇO POPULAR
A postura servil ignora o amplo rechaço popular manifestado no plebiscito de 16 de novembro – quando mais de 60% dos equatorianos disseram “não” ao retorno de bases estrangeiras ao país e se pronunciaram contra a chegada de tropas dos EUA à base aérea de Manta, na província de Manabí.
“Este é um ato inédito que demonstra o desprezo do atual governo do Equador pelas práticas diplomáticas e cortesias observadas pela comunidade internacional”, aponta o comunicado do Ministério das Relações Exteriores de Cuba. Havana reitera que seu pesoal cumpriu rigorosamente com a Convenção de Viena de 1961, respeitando as leis e regulamentos sem interferir nos assuntos internos do Estado equatoriano.
De acordo com especialistas, em meio ao agravamento da tensão no Oriente Médio, Trump busca desmantelar os movimentos de integração regional soberana e cooperação Sul-Sul, substituindo-os por “alianças de segurança” completamente vassalas a interesses transnacionais, subordinadas à agenda de Washington.
De forma descarada e sem qualquer sustentação, o Ministério de Relações Exteriores e Mobilidade Humana do Equador invocou o artigo 9 da Convenção de Viena para executar a medida, sem consequir, no entanto, detalhar uma única das razões que o justificasse. Mesmo a notificação divulgada pelos canais oficiais omite as razões do afastamento do corpo diplomático, ampliando o repúdio entre os equatorianos.
EXPULSÃO PÕE FIM A PROGRAMAS DE COOPERAÇÃO PARA SETORES VULNERÁVEIS DO EQUADOR
Os cubanos recordam que historicamente os dois países têm mantido profundos laços de solidariedade internacionalista em áreas estratégicas como saúde a educação. A retirada forçada do pessoal diplomático, asseguram, não só tensiona as relações políticas, mas também põe fim a programas de cooperação fundamentais para o desenvolvimento social dos setores mais vulneráveis do território equatoriano, espalhando preocupação e incerteza sobre procedimentos consulares para os cidadãos de ambas as nações.











