“Czar da fronteira” de Trump anuncia recuo do ICE em Minneapolis

Manifestações e queda de aprovação de Trump levaram à retirada dos agentes da Gestapo de imigração de Minesota (Foto extraída de vídeo da AP)

Tom Homan declara “concluída” a operação anti-imigração em Minneapolis, que deportou milhares, prendeu um menino de cinco anos e assassinou dois manifestantes com requintes de covardia

O “Czar da fronteira” do governo Trump, Tom Homan, anunciou na quinta-feira (12) que a investida da Gestapo anti-imigração em Minnesota, em curso desde dezembro, está “concluída”.

“Propus a ele, e o presidente concordou, que a Operação Metro Surge fosse encerrada”, disse Homan em uma coletiva de imprensa em Minneapolis. “Houve uma redução significativa [de agentes] na semana passada, e isso continuará na próxima semana”, acrescentou.

Segundo a mídia, já teriam sido retirados 700 capangas anti-imigração. O anúncio de recuo vem depois de mais de dois meses de ocupação da cidade por cerca de 3.000 agentes de deportação, entre membros do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e da Patrulha da Fronteira, que prenderam 4 mil imigrantes – inclusive um menino de cinco anos, Liam Conejo Ramos – e mataram dois cidadãos norte-americanos, Renée Good e Alex Pretti.

Assassinatos brutais que provocaram uma indignação sem precedentes, com uma greve que paralisou por um dia a maior cidade do estado e protestos no país inteiro sob o lema “Fora o ICE agora”.

O Conselho Municipal de Minneapolis reagiu ao anúncio de Homan com “otimismo”. “Eles pensaram que poderiam nos derrotar, mas o amor pelos nossos vizinhos e a determinação de perseverar podem sobreviver a uma ocupação”, disse o prefeito Jacob Frey em um comunicado à imprensa.

“Esses patriotas de Minneapolis estão provando que não se trata apenas de resiliência; apoiar nossos vizinhos é algo profundamente americano. Esta operação foi catastrófica para nossos negócios, e agora é hora de uma grande recuperação. Demonstraremos o mesmo compromisso com nossos residentes imigrantes e a mesma perseverança nesta reabertura, e espero que todo o país nos apoie enquanto avançamos juntos.”

“O anúncio de hoje reflete o que acontece quando as comunidades se organizam, se manifestam e se recusam a aceitar o medo como política pública”, disse Jaylani Hussein, diretora executiva do capítulo de Minnesota do Council on American-Islamic Relations. “Esta é uma vitória comunitária conquistada com esforço. Mas isso vem depois de traumas reais, danos reais e a perda de vidas. Isso não pode ser ignorado.”

“Este momento pertence à comunidade”, acrescentou Hussein. “Líderes religiosos, organizadores, moradores, jovens e moradores comuns se uniram e exigiram dignidade. Essa ação coletiva forçou mudanças. E permaneceremos vigilantes.”

Apesar de Homan alegar como motivação para a retirada a suposta “cooperação sem precedentes” do prefeito e do governador, ambos democratas, e de Minesota parecer cada vez menos um “Estado santuário” de imigrantes, a verdade é que, a nove meses das eleições de novembro e com o voto dos latinos virando em massa contra os fascistas, a ditadura de Trump tenta gerenciar os danos e se viu forçada a adiar, no caso de Minneapolis, as metas para sua “maior deportação da história”.

O chefe da perseguição aos imigrantes de Minneapolis, Greg Bovino, o do sobretudo de nazista, teve de ser retirado às pressas da cidade e mandado de volta para o esgoto, depois da revolta provocada pelo assassinato com tiros pelas costas do enfermeiro de veteranos Pretti, cometido pelos agentes de deportação, por ter ousado registrar com um celular a agressão a uma imigrante. O assassinato da mãe de três filhos Renée foi igualmente estúpido e ultrajante.

O ensaio de fascismo explícito em Minneapolis também desmoralizou a mentira do governo Trump de que a operação se concentraria nos “piores dos piores” (imigrantes indocumentados com condenações por estupro ou assassinato). Pegar bandido dá trabalho, então o que eles faziam mesmo era arrochar imigrantes no trabalho, invadir vizinhanças, creches e até igrejas, e sempre no mais explícito racismo.

Outra explicação é que no momento republicanos e democratas negociam um pacote de financiamento para o Departamento de Segurança Interna (DHS) que, caso não se chegue a um acordo para limitar o poder do ICE – como a oposição quer -, poderá forçar uma paralisação parcial do governo. A segunda em duas semanas, após a última, uma paralisação técnica, ter sido resolvida em poucos dias.

Desde o início da Operação Metro Surge, moradores de todo o estado foram às ruas contra a ocupação: os 3.000 agentes enviados por Trump superavam em muito o número de policiais em Minneapolis. Os moradores criaram grupos de bate-papo na rede de mensagens criptografadas Signal, onde trocavam informações sobre avistamentos de agentes do ICE, que circulavam mascarados, fortemente armados e em carros descaracterizados.

A cada investida, lá estavam os moradores com apitos e celulares para gravarem tudo e denunciarem a truculência e ilegalidade. Foi assim que os patrulheiros anti-imigração assassinaram Pretti, um enfermeiro de terapia intensiva em um hospital de veteranos em Minneapolis, e Good, uma poetisa e mãe de três filhos: ambos tinham 37 anos. Em defesa dos assassinos, Trump proclamou as vítimas como “terroristas domésticos”, mas foi desmoralizado pelos vídeos que vieram a público.

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