
Após a paralisação que gerou impacto significativo nos serviços de entrega na última segunda (31) e terça-feira (1ª), e mobilizações que reuniram multidões de trabalhadores em todo o país, os entregadores de aplicativos estão prontos para uma nova greve, caso não recebam respostas concretas dos patrões para as reivindicações da categoria.
O movimento teve forte adesão da categoria em todo o país, e, em São Paulo, os trabalhadores bloquearam shoppings como Morumbi, Eldorado, West Plaza e Santana Park, além de diversos centros comerciais. Segundo levantamento, empresas que operam exclusivamente pelo iFood registraram queda de até 100% nas entregas e as que utilizam múltiplas plataformas também tiveram redução de até 80% nas entregas.
De acordo com os organizadores do movimento, enquanto aguardam resposta do iFood que, diante da força do movimento foi obrigado a receber uma comissão de líderes da greve e prometeu levar as reivindicações à diretoria, caso não haja uma resposta satisfatória da empresa, a próxima paralisação nacional já está marcada para o dia 2 de maio.
As principais reivindicações da categoria são aumento da taxa mínima para R$ 10 por entrega, aumento do valor por quilômetro rodado de R$ 1,50 para R$ 2,50, limitação do raio de atuação das bicicletas a três quilômetros e o pagamento integral por pedidos agrupados.
O presidente do Sindimoto-RS, Valter Ferreira, avalia que a mobilização marca um novo patamar de organização da categoria. “Nunca se viu uma mobilização nacional desse porte. Mostra que os trabalhadores estão cansados e querem ser ouvidos de verdade”, disse. “Foi um passo importante. Agora é pressionar por respostas concretas”, afirmou.
Segundo ele, “o iFood, a Rappi, a 99 e a Uber criaram um modelo onde jogam os trabalhadores na clandestinidade. Eles não cumprem a CLT, nem as leis específicas da profissão. E quem paga a conta é o trabalhador e o INSS, com tantos afastamentos por acidente”, disse o sindicalista.
“Estamos no terceiro ano do governo e nada avançou. Espanha e Inglaterra já enfrentaram esse problema. Por que o Brasil não consegue?”, questionou sobre o projeto para regulamentar a profissão que não sai do papel.