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O ministro do STF exigiu que o Brasil seja respeitado: “Sem coação ou sem hierarquia entre Estados, e com respeito à autodeterminação dos povos e igualdade entre os países”, disse Moraes, agradecendo o apoio de Flávio Dino
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), respondeu de forma enfática às provocações do governo americano e da base parlamentar de Donald Trump à Justiça brasileira e agradeceu o ministro Flávio Dino, também do STF, que se manifestou publicamente em sua defesa contra os ataques do bufão.
“Deixamos de ser colônia em 7 de setembro de 1822 e com coragem estamos construindo uma República cada vez melhor”, disse o ministro, no início de sua fala citando os 73 anos da reunião inaugural da ONU, completados hoje. A afirmação foi feita em resposta à decisão de uma comissão da Câmara dos Estados Unidos, que aprovou, a pedido de Trump, um projeto para barrar a entrada de Alexandre de Moraes no país.
Em publicação nas redes sociais, o ministro Flávio Dino disse que os ministros do Supremo juram defender a Constituição e os princípios de autodeterminação dos povos, não intervenção e igualdade entre os Estados — incisos do artigo 4º da Constituição Federal. A assessoria de Moraes divulgou que não está nos planos do ministro visitar os EUA.
A decisão de fazer provocação contra o Brasil foi fruto de um intenso lobby feito pelo filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro, conhecido pelo apelido de “bananinha”, e por Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador brasileiro João Figueiredo, denunciado pela Procuradoria Geral da República por tentativa de golpe
Ao iniciar sua fala, Moraes citou o aniversário de 73 anos da reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) em sua sede, em Nova Iorque. Ele falou ainda que o ideário da época persiste: “Luta contra o fascismo, nazismo, imperialismo”. “Nesses 73 anos de inauguração da sede oficial da ONU é importante que reafirmemos compromissos com a democracia, direitos humanos, igualdade entre nações”, declarou.
“Sem coação ou sem hierarquia entre Estados, e com respeito à autodeterminação dos povos e igualdade entre os países. Como proclamado, inclusive, pelo artigo 4º da nossa Constituição Federal, e bem lembrado hoje, em mensagem do ministro Dino. A quem agradeço e digo, será um grande prazer conhecer a belíssima Carolina do Maranhão, Carolina do Estado do Maranhão em que sua excelência também governou por dois mandatos”, mencionou Moraes.
O presidente do STF, ministro Luís Roberto Barroso, também saiu em defesa de Moraes. Ele se referiu, sem citar nomes, àqueles que defenderam um golpe de Estado no Brasil. “A tentativa de fazer prevalecer a narrativa dos que apoiaram o golpe fracassado não haverá de prevalecer entre as pessoas verdadeiramente de bem e democratas”, afirmou Barroso. “Nós bem sabemos o que tivemos que passar para evitar colapso das instituições e golpe de Estado”, completou o presidente do STF.