Democracia é para melhorar a vida do povo. É assim que derrotaremos o fascismo, diz Lula

Lula voltou a defender o controle dos minerais críticos pelo Brasil (reprodução)

“Todo mundo quer ter uma condição de vida melhor”, argumentou o presidente, em entrevista ao ICL Notícias

O presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira (8), em entrevista a Eduardo Moreira e Leandro Demori, do ICL Notícias, que as eleições de 2026 devem ter como eixo central a defesa da democracia.

“Há uma tentativa de consolidar um esquema de ultradireita nesse país que passa por colocar um fim na democracia, porque eles começam sonhando em fechar a Suprema Corte, falando que a urna eletrônica é fraudada, desacreditando todas as instituições que garantem o funcionamento da democracia”, denunciou o presidente.

CUMPRIR O QUE PROMETEU

“Essa eleição certamente terá como ponto alto a defesa da democracia. Nós vamos ter competência de explicar para a sociedade o significado da palavra democracia, não é uma palavra abstrata. Democracia é o cidadão votar, controlar o seu voto e exigir que as pessoas cumpram o programa com o qual a pessoa foi eleita”, acrescentou Lula.

Lula afirmou que a democracia passa pela garantia de direitos básicos à população. “Precisamos defender a democracia tendo como significado o direito elementar de todo mundo ser cidadão de primeira classe neste país. Cuidar da saúde do povo, da educação, do emprego, aumentar a renda da sociedade e investir o máximo possível em cultura. Todo mundo quer ter uma condição de vida melhor”, argumentou.

Lula brincou dizendo que ainda não é candidato em outubro. “Eu vou pleitear ao PT a necessidade de a gente reconstruir uma aliança política forte para que a gente não permita que os fascistas voltem a governar esse país. Esse é o papel que eu tenho para jogar agora”, disse.

“E qual é a vantagem que eu tenho: eu tenho o acúmulo de experiência que ninguém tem nesse país. Não tem nenhum político que tenha a experiência que eu tenho nesse país”, acrescentou o presidente.

TERRAS RARAS SÃO DO BRASIL

Lula voltou a criticar acordos envolvendo a exploração de terras-raras por estrangeiros no país e afirmou que o Brasil não pode abrir mão de recursos considerados estratégicos. “O Flávio Bolsonaro quer vender para os Estados Unidos algo que é muito importante para o Brasil”, disse Lula, sobre as declarações recentes de Flávio sobre as terras-raras.

Flávio disse em evento nos EUA que quer entregar tudo para Trump. Ele defendeu o fornecimento de minerais críticos do Brasil ao governo americano. “O Brasil é a solução da América (Estados Unidos) para quebrar a dependência da China em minerais críticos, especialmente terras-raras”, disse Flávio Bolsonaro. Ou seja, ele defende os EUA e não o Brasil.

Lula foi entrevistado por Eduardo Moreira e Leandro Demori, do ICL Notícias (reprodução)

Lula também criticou o ex-governador goiano, Ronaldo Caiado. Os Estados Unidos garantiram acesso às terras raras produzidas pela mineradora Serra Verde, localizada em Minaçu, no norte de Goiás. O acordo está ligado a um financiamento de US$ 565 milhões e ocorre em meio a articulações para ampliar a exploração do setor.

“É uma vergonha o que o Caiado fez em Goiás. Fez um acordo com empresas americanas, concedendo algo que não pode, porque é da União”, disse Lula.

Lula afirmou criticou também a arrogância de Trump. “Nós temos um cidadão no mundo que acha que é imperador, todo dia faz um tweet, decide uma coisa, e o Brasil não pode ficar vulnerável. Somos um país muito grande, com um potencial extraordinário, ainda mais agora que surgiu esse fenômeno das terras raras”, afirmou.

POLÍTICA DE SEGURANÇA SÉRIA

Segundo o presidente Lula, os minerais críticos são fundamentais para a produção de tecnologias estratégicas. “As terras raras têm componentes químicos que permitem criar baterias de carros elétricos, chips de celular. Tudo que é digital hoje depende delas. O Brasil só tem 30% do território pesquisado e, mesmo assim, já somos o segundo maior país do mundo em terras raras. Os países desenvolvidos querem isso”, destacou.

Lula falou de Segurança Pública e afirmou que pretende propor mudanças estruturais na Segurança Pública brasileira, incluindo a criação de um Ministério da Segurança Pública e de uma Guarda Nacional.

Ao comentar o modelo atual, Lula criticou a forma como a segurança foi organizada após a Constituição de 1988, destacando a concentração de responsabilidades nos estados. “O que aconteceu na Constituição de 1988? Nós discutimos a segurança e, até então, eram os militares que comandavam. Fizemos uma reforma e colocamos na mão dos governos dos estados. A União praticamente não tem nenhum papel, tem um fundo de R$ 2 bilhões para repassar aos estados e conta com a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Foi aprovada agora a Lei Antifacção, que já sancionamos.”

Segundo o presidente, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança é fundamental para ampliar a atuação do governo federal. “Estou querendo que aprovem a PEC da Segurança porque quero criar um Ministério da Segurança Pública. Vamos ter que definir qual é o papel da União. Não é preciso pedir autorização do estado para fazer uma intervenção em um crime violento, como no caso da Marielle. Se não fosse a Polícia Federal, a gente não teria resolvido aquele caso. Há muitos estados em que os crimes não chegam a uma solução”, afirmou.

COMBATER AS FACÇÕES

“O que queremos é fazer uma política de segurança muito séria, aumentando o efetivo da Polícia Federal, ampliando a inteligência, cuidando das nossas fronteiras, reforçando a Polícia Rodoviária Federal e colocando-a para cuidar das estradas. E criar uma Guarda Nacional, para pronta intervenção em casos de bloqueios ou quando uma facção tentar tomar uma cidade ou um bairro. Para o governo federal entrar de fato na segurança pública, precisamos de uma lei que defina qual é o nosso papel”, disse o presidente.

“A hora que aprovar a PEC, na semana seguinte será anunciada a criação do Ministério da Segurança Pública, com orçamento robusto, para que a gente não fique brincando de fazer segurança. A sociedade precisa que o governo federal entre em ação — e, para isso, precisamos da aprovação da PEC, porque hoje a responsabilidade é quase toda dos estados”, completou.

O presidente também defendeu uma revisão da política de defesa nacional e alertou para vulnerabilidades estratégicas do país. “Temos que rediscutir, por exemplo, a indústria da defesa no país. Não pode um país com essa fronteira toda, com terras raras, minerais críticos, florestas e petróleo ser desprovido de segurança. Nunca levamos a sério essa questão. O mundo hoje exige que o Brasil pense segurança com mais seriedade”, disse o presidente.

Sobre o que pretende fazer num próximo mandato, Lula disse que o país precisa mudar urgentemente, “Para que eu quero um quarto mandato? Tenho na cabeça que é importante dar um salto de qualidade. Discutimos muito os efeitos, mas não as causas. Está na hora de discutir as causas dos problemas brasileiros para poder mudar”, completou.

ESTADO FORTE

O presidente criticou o modelo atual de distribuição orçamentária e defendeu maior controle do Executivo sobre os recursos públicos.

“Que Estado queremos daqui para frente? Não quero um Estado subordinado, quase sequestrado pelo chamado orçamento secreto, todos sabem que não concordo com isso. Cerca de 60% do orçamento vai para a mão de deputados e senadores. Isso não é correto. Precisamos executar o orçamento porque a sociedade nos deu esse poder. Não é possível manter os ‘penduricalhos’. Precisamos acabar com a promiscuidade política. Não dá para continuar assim”, disse.

Lula declarou que a decisão sobre o futuro das chamadas “bets” depende do Congresso Nacional do Brasil, mas indicou que, pessoalmente, defende o encerramento das atividades.

“Quero dizer o seguinte: se depender de mim, a gente fecha as bets. Obviamente que depende do Congresso Nacional, de discussão. Eu sei que elas financiam — não posso citar nomes, porque não sou juiz nem policial —, mas todo mundo sabe quem são os deputados, os partidos, os senadores. Então não é possível continuar com essa jogatina desenfreada neste país.”

O presidente afirmou que o tema vem sendo discutido internamente no governo nas últimas semanas e que há dúvidas sobre a utilidade do setor. “Faz 15 dias que estou discutindo esse negócio das bets. Tenho debatido exatamente isso: se elas causam o mal que a gente acha que causam, por que não acabar com as bets? Ou então regular para que não haja tantas no Brasil, se é que têm alguma serventia.”

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