Mais de 70 parlamentares norte-americanos acusaram o ditador de colocar em risco a segurança do país e a vida dos seus cidadãos.
Diante da “guerra ilegal” travada com o Irã, mais de 70 deputados democratas na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos se manifestaram contra a agressão ao Irã e denunciam suas mais recentes declarações como “uma loucura” e coisa de quem está ficando “mais desequilibrado” e “mais instável a cada dia”.
Entre os parlamentares que estão denunciando os arroubos desastrosos de Trump estão a ex-presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o senador Chris Murphy, que argumentam que ele é inapto para governar.
O deputado John B. Larson, democrata do Connecticut, lembrou nesta terça-feira (7) que já apresentou 13 acusações, pois “Donald Trump ultrapassou todos os requisitos para ser destituído do cargo. E a situação está piorando”.
Entre as ameaças de Trump, Larson incluiu a de que “abram o Estreito… ou vocês viverão no inferno”, dizendo que tais declarações “pressagiam crimes de guerra”. Para o parlamentar, Trump era “incapaz ou não estava disposto” a cumprir fielmente seus deveres. “Eles têm a obrigação de colocar o patriotismo acima da política”, reiterou.
“INSTÁVEL, PERIGOSO E INCAPAZ”
Alguns democratas intensificaram o apelo. O deputado Jim McGovern disse que o governo deveria “invocar imediatamente a 25ª Emenda (que destitui o presidente por inaptidão para o cargo)”, enquanto a congressista Lauren Underwood assinalou que Trump era “instável, perigoso e incapaz de exercer as funções de Comandante-em-Chefe”.
A medida foi tomada após Trump ter suspendido os ataques planejados contra o Irã e aceitar a proposta “viável” de 10 pontos de Teerã. Ele mudou de ideia após negociadores paquistaneses terem feito um apelo, diante da sua ameaça de que “toda uma civilização morrerá esta noite” se o Estreito de Ormuz permanecesse fechado.
Segundo relatos, os ataques criminosos realizados pelos EUA atingiram infraestruturas iranianas como pontes, linhas férreas e uma estação de trem, bem como o estratégico centro petrolífero na ilha de Kharg, com grande número de vítimas civis entre as mais de 1.500 mortes desde o final de fevereiro.
Republicanos e apoiadores de Trump defenderam os ataques, alegando que visavam impedir o Irã de obter armas nucleares. O governo de Teerã negou a acusação, insistindo que seu programa era puramente pacífico.
A repulsa da população norte-americana a Trump – já expressa em gigantescas manifestações de rua – não para de crescer e ganhou impulso após o ditador ter publicado na rede Truth Social, no domingo de Páscoa, em meio à agressão ao Irã de que a situação iria se agravar, com ameaças diretas relacionadas ao Estreito de Ormuz.
“Terça-feira será o Dia das Usinas e o Dia das Pontes, tudo ao mesmo tempo, no Irã. Não haverá nada igual!!! Abram o maldito estreito, seus loucos, ou vocês vão viver no inferno — APENAS OBSERVEM! Louvado seja Alá”, escreveu Trump.
“O IMPERADOR ESTÁ NU”
Para a deputada Melanie Stansbury, “o imperador está nu. O Congresso e o gabinete precisam agir”.
“Isso é completamente, absolutamente insano. Ele já matou milhares. Vai matar muitos mais”, protestou o senador democrata Chris Murphy.
Nas palavras do líder democrata no Senado, Chuck Schumer, “6 de janeiro (na tentativa de golpe frustrado de Trump) viverá como o dia da infâmia nos Estados Unidos. O fracasso em condenar Donald Trump viverá como um voto de infâmia na história do Senado dos EUA”.











