Expressivas lideranças como o deputado Jim McGovern e os senadores Ron Wyden e Jeff Merkley defendem o diálogo e condenam pretensões de Trump de asfixiar a ilha do Caribe
Lideranças do Partido Democrata dos Estados Unidos somaram suas vozes contra o recrudescimento do bloqueio imposto a Cuba nas últimas semanas pelo ditador Donald Trump com a cruel asfixia de petróleo, produtos e medicamentos.
“É o povo cubano – e não os políticos em Washington – quem deve decidir sobre seus próprios líderes e seu próprio futuro”, afirmou o deputado democrata Jim McGovern, membro sênior do Comitê de Regras da Câmara dos Representantes dos EUA, ao apresentar na quinta-feira (12) com e o copresidente da Comissão de Direitos Humanos, Tom Lantos, um novo projeto de lei para suspender o embargo contra Cuba.
McGovern recorda que houve um ganho mútuo para ambos os países e povos ao ter contribuído para flexibilizar o embargo e promover a diplomacia e a cooperação bilateral durante o governo de Barack Obama (2009-2017). Infelizmente, houve um brutal retrocesso nas relações após a posse de Trump já durante o seu primeiro mandato na Casa Branca (2017-2021). As práticas de chantagem e abuso foram duramente criticadas até mesmo por parlamentares republicanos.
A iniciativa apresentada nesta semana rejeita seis décadas de política externa fracassada contra a Ilha e reitera a relevância da diplomacia e do diálogo, assinala o comunicado publicado no site oficial de McGovern, representante de Massachusetts.
O projeto de lei HR 7521, o Ato de Comércio Estados Unidos-Cuba, apresentado por ele é uma resposta ao embargo total de petróleo a Cuba, que reforça o bloqueio unilateral imposto pela Casa Branca. O PL revogaria ou alteraria inúmeras das amarras em vigor que restringem o comércio, as trocas comerciais, as telecomunicações e as viagens a Cuba.
Para Tom Lantos, chegou a hora de descartar as políticas antigas, ultrapassadas e fracassadas do passado e tentar algo diferente, tratando o povo cubano como seres humanos que amelja viver com dignidade e liberdade.
“MEDIDAS DE TRUM SÃO EQUIVOCADAS E ISOLACIONISTAS”
Trump reverteu algumas políticas da era Obama em relação a Cuba, e muitos republicanos no Congresso, particularmente de estados agrícolas, afirmaram que as novas abordagens são equivocadas e isolacionistas.
“O governo Trump alega querer reduzir a imigração, mas sua própria postura intransigente apenas incentiva a migração para os Estados Unidos, piorando as condições de vida em Cuba”, alertou McGovern. Desta forma, asseverou, o bloqueio “não é apenas absurdamente ineficaz, mas também contraproducente e prejudica precisamente as pessoas comuns e suas famílias, que ficam privadas de alimentos, medicamentos e itens de primeira necessidade”.
Para o senador Ron Wyden, democrata do Oregon e membro do Comitê de Finanças do Senado, que apresentou no ano passado um Projeto de Lei de Comércio EUA-Cuba para revogar as sanções obsoletas contra Cuba e estabelecer relações comerciais normais com a ilha. Neste sentido, assinalou, remover Cuba da lista de países patrocinadores do terrorismo é essencial. O senador Jeff Merkley, democrata do Oregon, foi coautor da legislação.
“TENTAR ISOLAR CUBA É ESTRATÉGIA FRACASSADA E ULTRAPASSADA”
“Tentar isolar Cuba é uma estratégia fracassada e ultrapassada que pune o povo cubano e impede a influência e o investimento americanos, que poderiam beneficiar tanto os agricultores e pecuaristas dos EUA quanto as pequenas empresas cubanas”, defendeu Wyden.
“A insistência do governo Trump em isolar Cuba enquanto apoia regimes autoritários na Arábia Saudita e em outros lugares é retrógrada e contraproducente para os valores e a influência americana”, enfatizou.
A Comissão de Comércio Internacional dos EUA constatou há dez anos que a flexibilização das restrições americanas ao comércio e aos negócios com Cuba poderia aumentar as exportações norte-americanas em US$ 1,4 bilhão anualmente nos próximos cinco anos, com ganhos ainda maiores.










