Deputado denuncia à PGR a cumplicidade de Campos Neto com os crimes do Master

Deputado federal Lindbergh Farias (PT), do Rio de Janeiro (Foto: Bruno Spada - Câmara dos Deputados)

“Tudo isso do Banco Master aconteceu quando Campos Neto era presidente do Banco Central”, afirma Lindbergh Farias (PT-RJ)

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) apresentou à Procuradoria-Geral da República (PGR) um pedido de investigação contra o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, para apurar sua participação no esquema criminoso do Banco Master.

Pelo menos dois diretores do BC na gestão de Roberto Campos Neto recebiam propina para proteger o Master, revelou a Polícia Federal.

Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e Belline Santana, que comandava o Departamento de Supervisão Bancária, foram presos.

“Tudo isso do Banco Master aconteceu quando Campos Neto era presidente do Banco Central”, denunciou o parlamentar em entrevista. “Nós queremos apurar tudo”, assinalou.

“O Banco Master cresceu absurdamente entre 2019 e 2022. E o que aconteceu nesse período? O sistema financeiro passou por forte flexibilização regulatória do Banco Central”, explicou.

Na avaliação do deputado, Campos Neto “incentivou” e o governo Bolsonaro “deixou correr solto” o modelo de fraudes do Banco Master.

Ele apresentou a notícia-crime à PGR “para que seja investigada omissão dolosa de Campos Neto na fiscalização bancária e se apure indícios de que norma editada durante sua gestão possa ter contribuído para facilitar fraudes atribuídas ao Banco Master”.

“Nosso objetivo é assegurar apuração independente e completa sobre responsabilidades individuais, decisões administrativas e eventuais condutas comissivas ou omissivas que possam ter aumentado riscos e favorecido irregularidades no âmbito do sistema financeiro”, continuou.

Em mensagens trocadas com sua namorada em 2024, Daniel Vorcaro chegou a falar que “o presidente do Bacen [Banco Central] já falou da nossa casa”. A moça perguntou se eles poderiam ser prejudicados por isso, e Vorcaro respondeu: “Não. Zero. Agora virou irrelevante”. Roberto Campos Neto era o presidente do BC em 2024.

O deputado apontou na notícia-crime que os fatos revelados pela investigação “agravaram qualitativamente o quadro, ao trazerem à luz elementos que não se limitam a ‘falhas difusas’ de governança, mas apontam para relações funcionais específicas entre dirigentes e/ou chefias do Banco Central e atores diretamente interessados na sustentação do Banco Master”.

Lindbergh apontou que Roberto Campos, enquanto presidente do BC, alterou normas para que ativos do Banco Master fossem considerados menos arriscados.

A Operação Compliance Zero tem aprofundado a investigação sobre o caso do Banco Master, levando à prisão o dono da empresa, Daniel Vorcaro, e seus comparsas.

O cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também foi preso. Na organização criminosa, ele era responsável por parte dos pagamentos. Em 2022, Zettel foi o maior doador para as campanhas de Jair Bolsonaro, com R$ 3 milhões, e Tarcísio de Freitas, com R$ 2 milhões.

Os dois servidores presos, Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, tinham um grupo no WhatsApp com Daniel Vorcaro no qual enviavam informações internas ao Banco Central que interessavam ao banqueiro. Eles recebiam pagamentos de propina.

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