Taxa de desocupação atingiu 5,6% ou 6,2 milhões de pessoas em 2025. Na informalidade estavam cerca de 38% dos trabalhadores, sendo 26 milhões se virando por conta própria
O Brasil registrou, no trimestre encerrado em dezembro, a menor taxa de desocupação da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD-Contínua). De acordo com a pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (30), o ano foi encerrado com taxa de desemprego de 5,1%. Observando os dados consolidados de 2025, a taxa anual de desocupação ficou em 5,6%, também a menor já registrada.
A taxa expressa em números representa que 5,5 milhões de pessoas estavam procurando trabalho nos últimos 3 meses de 2025, sem encontrar. Do outro lado, os ocupados totalizaram 103 milhões de pessoas. No consolidado anual, foram 6,2 milhões de desocupados contra 103 milhões de ocupados.
Nos anos de pandemia, o país chegou a computar 14 milhões de pessoas procurando trabalho (taxa de 14%) e uma explosão da informalidade e desalento, compara o IBGE.
INFORMALIDADE CONTINUA ALTA
A taxa de informalidade – sem carteira, sem CNPJ e por conta própria – continua alta, com média de 38,1% do total de ocupados, apesar de ter decrescido em 2025. Um total de 38,7 milhões de trabalhadores sem carteira de trabalho ou qualquer direito trabalhista, com jornadas exaustivas e salário pouco acima de um salário mínimo, ou vivendo de “bico”..
O emprego formal no setor privado cresceu 2,8% frente a 2024, chegando a computar 38,9 milhões de pessoas. Mas não foi apenas o emprego com carteira assinada responsável pela queda da desocupação: em 2025, registrou-se o maior contingente de trabalhadores por conta própria da história, atingindo 26,1 milhões de pessoas, resultado do movimento de “pejotização” do mercado de trabalho. No setor privado, 13,6 milhões trabalham sem carteira assinada.
A chamada população subutilizada (desocupada ou subocupada por insuficiência de horas) também não seguiu o movimento de queda do índice de desocupação, ficando, em 2025, acima do menor nível da série, registrado em 2014, e totalizando 18,7 milhões de pessoas (ou 10,8% do total).
O rendimento real habitual de todos os trabalhos (R$ 3.613) foi recorde, com altas de 2,4% no trimestre e de 5,0% no ano. A massa de rendimento real habitual (R$ 367,6 bilhões) foi novamente recorde, com alta de 3,1% (mais R$ 10,9 bilhões) no trimestre e de 6,4% (mais R$ 22 bilhões) no ano.
“Setorialmente, as atividades que mais expandiram a ocupação foram as de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, como também o grupamento formado pela Administração pública, defesa, educação, saúde humana, seguridade social e serviços sociais. Essas atividades concentram contingentes de trabalhadores mais escolarizados, com vínculos mais formalizados e rendimentos mais altos, contribuindo para a expansão do rendimento médio da população ocupada”, ressaltou Adriana Beringuy, gerente da pesquisa.
Adriana também analisa, ao olhar os dados de 2025, que os setores que mais empregaram são aqueles menos sensíveis à política de juros altos que deu a toada da economia em 2025 e penaliza, sobretudo, o setor produtivo e a geração de empregos mais qualificados e com melhores salários.
“Quando percebemos as atividades que tiveram mais acréscimo de população ocupada, foram setores não tão sensíveis a juros. Então não houve explosão de consumo de bens duráveis, de móveis [que são sensíveis a juros altos]”, exemplificou. “As atividades mais dependentes de crédito, e de juros, não foram aquelas que mais expandiram em 2025 [em abertura de vagas]”, disse. “Tivemos mais trabalhadores, com rendimento maior [em 2025] e esse consumo [deles] foi canalizado para bens não duráveis”, disse, em entrevista ao Valor Econômico.











