Campos Neto acobertou criminoso. Governadores ligados a Bolsonaro injetaram bilhões no Master. Ciro Nogueira brigou pela negociata com BRB. Nikolas usou jatinho de Vorcaro em campanha do “mito”. O banqueiro deu R$ 5 milhões para a campanha bolsonarista
Nos últimos dias temos assistido a um certo desespero dos fascistas e do seu entorno na tentativa inglória de creditar ao governo Lula e/ou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o conluio com os crimes cometidos pelo dono do Banco Master. Uma cobertura jornalística totalmente tendenciosa e até um ridículo PowerPoint com Lula no centro do escândalo eles (Globo) inventaram com esse objetivo. Mas a verdade é que Daniel Vorcaro foi parido dentro e junto com o bolsonarismo. Surgiu com ele e foi intensamente cevado pelo governo de Jair Bolsonaro, como poderemos conferir em seguida.
MÃOZINHA DE CAMPOS NETO
Senão, vejamos. Um sujeito que não era nada do ponto de vista financeiro em 2017, transformou-se num banqueiro bilionário dois anos depois, logo após a chegada de Jair Bolsonaro ao Planalto. Coincidência? Sem dúvida que não. Daniel Vorcaro e seu Banco Master receberam total apoio e cobertura do governo Bolsonaro. Não por acaso ele doou R$ 5 milhões para a campanha bolsonarista em 2022. O banqueiro retribuiu pela proteção do governo Bolsonaro e a cumplicidade de seus ministros.
Ele havia comprado, em 2017, o Banco Máxima, que estava proibido pelo Banco Central de atuar por conta de fraudes. Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro para dirigir o BC, deu a autorização em outubro de 2019 para Vorcaro poder atuar no mercado. Por que Campos Neto mudou a decisão anterior? Por que ele autorizou o Master a agir na praça? E, mais ainda, por que, quando alertado das fraudes do banqueiro, Campos Neto não fez nada? Não há dúvida que o fraudador foi protegido e acobertado pelo BC. Agora a PF está investigando o comportamento de Campos Neto naquele período.
Precisou mudar o governo para que o Banco Central e a Polícia Federal – do governo Lula – dessem um fim nos golpes do Banco Master que provocaram um rombo de mais de R$ 50 bilhões aos clientes e ao país. Segundo especialistas, este é o maior escândalo bancário da história. É irônica a tentativa de atingir Lula. O “acusado” por eles de favorecer o banqueiro foi exatamente quem fechou o banco e colocou o ladrão na cadeia.
CONTRATOS BILIONÁRIOS
Durante o governo Bolsonaro, Vorcaro não foi nem fiscalizado e nem incomodado. Pelo contrário, recebeu contratos bilionários na forma de carteiras de empréstimos consignados e outras modalidades de negócio com órgãos públicos. Não por acaso o ministro da Cidadania de Bolsonaro, Ronaldo Bento, que atuou ativamente pela ampliação da margem do consignado, e até a sua extensão para o Auxílio Brasil, virou diretor do Banco Master. Conluio aberto entre o poder público e o banqueiro ladrão.
Com os contratos garantidos por três ministros de Bolsonaro, Bento, Onix Lorenzoni e João Roma, Daniel Vorcaro começou a captar bilhões através de CDBs de alto risco e carteiras de crédito falsas. Ele oferecia rendimentos muito acima da média do mercado. A jogatina levou a que, a partir de um dado momento, ele passasse a remunerar os títulos com os recursos de novas captações, ou seja, numa típica ação de pirâmide. Nesta hora, Campos Neto começou a ser alertado, mas, como se diz popularmente, estava “tudo dominado”.
Foi neste momento, em que o banco já apresentava sinais de insolvência, que outro bolsonarista veio em socorro do Master. Ibaneis Rocha, governador de Brasília, autorizou que o BRB, o banco público do DF, comprasse uma carteira de crédito do Master totalmente bichada por R$ 12 bilhões. Os títulos da carteira eram falsos. Uma fraude grosseira. Esta foi uma operação que não seria feita sem autorização do governador. A negociata provocou um rombo de R$ 6 bilhões no banco público da capital.
BRB E CARTEIRA PODRE
Pior ainda, o governador Ibaneis autorizou em seguida que o BRB comprasse o Master que já estava em situação pré-falimentar. A negociata foi tão escandalosa que houve uma reação intensa e imediata na sociedade. A venda foi impedida pelo Banco Central que decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master e de alguns fundos ligados ao conglomerado.
Nessa altura, mais bolsonaristas saíram em socorro do Master. O senador Ciro Nogueira, do núcleo íntimo de Bolsonaro, chegou a ameaçar de impeachment o diretor do BC que impediu a venda do Master ao BRB. Não satisfeito, ele apresentou uma emenda a uma PEC que tramitava no Senado elevando a garantia de crédito de R$ 250 para R$ 1 milhão. Ciro Nogueira teve a ajuda de Antônio Rueda, presidente do União Brasil. A emenda passou a ser chamada de “Emenda Master”, porque beneficiava diretamente Daniel Vorcaro. O banqueiro usava o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para bancar seus golpes na praça.
O VERDADEIRO POWER POINT VORCARO/BOLSONARISMO

Os sinais de irregularidades e do provável rombo que se aproximava já estavam visíveis desde 2020/2022, mas Campos Neto, mesmo alertado, não tomou nenhuma providência. Ao contrário, segundo levantamento das agendas oficiais do banco, o banqueiro trambiqueiro esteve 24 vezes o BC, durante a gestão Campos Neto. Ele tinha até dois altos servidores do BC alocados como seus “assessores particulares”, pagos para por ele, para burlar a fiscalização. Tudo nas barbas e com o beneplácito de Campos Neto.
Só esses dados já mostram quão ridícula é a orquestração bolsonarista tentando jogar o escândalo Master no colo de Lula ou do Supremo Tribunal Federal. Eles se esforçam para esconder seus crimes – que são escandalosos e envolvem bilhões – e procuram confundir meros contatos de autoridades atuais com o banqueiro para criar um clima de que todos estavam envolvidos na maracutaia. O fato é que as autoridades do governo Lula e do STF não se locupletaram. Pelo contrário, eles liquidaram o Master e colocaram seu dono na cadeia.
LAGOINHA
Mas, voltemos à trajetória tortuosa do Master e a atuação criminosa do bolsonarismo, que encheu o banco de dinheiro público a troco de propinas. Esses crimes vão ficando cada vez mais claros. Daniel Vorcaro frequentava a igreja evangélica da Lagoinha, de Belo Horizonte, uma verdadeira central bolsonarista. Ele era um empresário desconhecido do mercado imobiliário. Seu cunhado e operador financeiro, Fabiano Zettel, agora preso, era pastor dessa igreja. O deputado Nikolas Ferreira, um bolsonarista fanático, também usava a igreja como sua principal base eleitoral. O chefe da igreja era André Valadão um outro estridente apoiador de Jair Bolsonaro.
Até aí, tudo bem. Mas, aí começam as coincidências. O pastor Fabiano Zettel foi simplesmente o principal doador da campanha de Jair Bolsonaro e Tracísio de Freitas em 2022. O dinheiro, obviamente era de Vorcaro. Ele doou R$ 3 milhões para Jair Bolsonaro e R$ 2 milhões para Tarcísio de Freitas. Por que eles investiram tanto dinheiro nessas campanhas? É simples. O governo Bolsonaro, através de seus ministros e do presidente do Banco Central, davam total guarida às ações ilegais do banqueiro. Ele conseguia contratos bilionários e Campos Neto dava cobertura impedindo que o banco fosse fiscalizado.
E, mais. Assim que assumiu o governo de São Paulo, Tarcísio vendeu a Emae, empresa de água e energia de São Paulo. Quem comprou? Nelson Tanure, que é hoje sabido ser o sócio oculto de Vorcaro. Em seguida, a Emae desembolsou R$ 160 milhões para o Banco Master. Ou seja, Tarcísio recebeu R$ 2 milhões na campanha e retribuiu com R$ 160 milhões da Emae, que acabou quebrando, para os cofres do Master. Quanto Tarcísio deve ter levado nesta operação fraudulenta?
CLAVA FORTE BANK
Pois bem. Ainda sobre a igreja Lagoinha, de onde eles surgiram. Ela foi fechada quando se iniciou a investigação de sua participação no escândalo do INSS. A igreja bolsonarista (pasmem) tinha criado até uma fintech que funcionava dentro da igreja. A arapuca era acoplada ao Master. Valadão chamou a sua criação de “Clava Forte Bank”. Ele foi usado para lavar dinheiro. Hoje a PF está no encalço das ligações dessa fintech e de outros “agregados” do Master, como o fundo Reale e até com a lavagem de dinheiro do PCC.
A ligação de Daniel Vorcaro com o bolsonarismo era e é tão íntima e profunda que o deputado Nikolas Ferreira e o pastor André Valadão – conhecido em Minas por André “Vai ladrão” – viajavam para cima e para baixo no jatinho particular do banqueiro, tudo pago por Vorcaro, para fazer a campanha de Jair Bolsonaro em 2022.
Mas, não parou por aí. O esquema bolsonarista colocou à disposição do banqueiro os governos de estado e diversas prefeituras. Eles usaram recursos dos fundos de pensão de seus servidores na aquisição de títulos podres do Master. O caso mais escandaloso foi o do governador do Rio, Cláudio Castro, outro bolsonarista, que acaba de renunciar para tentar fugir da cassação. Ele desviou R$ 1 bilhão do instituto Rioprevidência, fundo de aposentadoria dos servidores do estado, para comprar títulos bichados do Banco Master. Isso quando o banco já estava no vermelho. Quando foram flagrados, até mala de dinheiro pela janela foi jogada, em Santa Catarina, e a cena foi presenciada pela PF.
Em suma, os desdobramentos das investigações do escândalo do Banco Master revelam cada vez mais a podridão do esquema bolsonarista, a corrupção desenfreada e o uso despudorado do dinheiro público em benefício próprio e em maracutaias financeiras em cumplicidade com Daniel Vorcaro. Emissoras que oportunisticamente alardeiam contra o governo Lula, na verdade, estão com o rabo preso por também terem recebido patrocínio do banqueiro. Por tudo isso, o Brasil não vai cair nesse engodo fantasioso do bolsonarismo e de seus porta-vozes de tentar tirar o corpo fora e culpar o governo Lula ou o STF por toda essa corrupção.
SÉRGIO CRUZ











