Minneapolis em greve contra a Gestapo de Trump

Multidão reunida na marcha contra a barbárie da gestapo ICE na cidade de Mineapolis (Roberto Schnidt/AFP)

Para exigir “ICE out” [Fora ICE] – a Gestapo anti-imigração de Trump – e “justiça para Renee Good”, a cidadã norte-americana mãe de três filhos assassinada há 15 dias por um jagunço uniformizado, Minneapolis realizou um “Dia da Verdade e Liberdade”, com centenas de lojas, restaurantes e instituições culturais de portas fechadas e uma marcha de protesto até a arena Targent Center.

Como assinalaram as entidades comunitárias, lideranças sindicais, entidades de defesa dos direitos civis, organizações de proteção aos imigrantes e grupos religiosos que convocaram o ato, “um dia de protesto sem trabalho, sem escola, sem compras” – um “apagão econômico”, conforme o Huffpost, ou, no entender de muitos, uma greve contra a ocupação pelo ICE e a violação dos direitos constitucionais.

O conselho municipal de Minneapolis endossou o dia de protesto , assim como Walker Art Center, o Minneapolis Institute of Art, o Science Museum of Minnesota e o Minnesota Children’s Museum. Também a AFL-CIO de Minnesota, federação estadual de mais de 1.000 sindicatos locais afiliados.

Segundo o jornal Star Tribune, 100 religiosos que, ajoelhados, cantavam hinos e denunciavam a perseguição trumpista aos imigrantes, na entrada do Aeroporto de Minneapolis, foram presos. O diácono Mark Throckmorton, da igreja presbiteriana de St. Paul, a cidade vizinha, disse “não temer”, “nem respeitar o ICE”: são “sem lei”. No centro da cidade, agentes do ICE lançaram gás lacrimogêneo e spray de pimenta contra manifestantes.

Um porta-voz do Homeland, o Departamento de Segurança Interna, em e-mail de resposta ao The Guardian, mostrou-se possesso com o protesto.”Isso é mais que insano. Por que esses chefes sindicais não querem que essas ameaças à segurança pública saiam de suas comunidades?”, disse o anormal.

RESISTÊNCIA À XENOFOBIA E RACISMO SÓ FAZ CRESCER

Desde o hediondo assassinato com três tiros de Renee no dia 7, registrado pelo celular do próprio assassino – crime e criminoso enfaticamente defendidos pelo próprio Trump -, os protestos contra a xenofobia e o arbítrio só fizeram se intensificar, apesar da presença brutal de 3.000 bate-paus há oito semanas.

Na quarta-feira, contrariando o empenho do governo Trump para fazer da vítima a culpada pela própria morte e isentar o assassino, e refletindo a indignação popular, o Gabinete do Médico Legista do Condado de Hennepin classificou a morte dela como “homicídio”.

Sob um clima ártico, uma temperatura de menos 23 graus celsius e sensação térmica de 29 graus celsius, a população de Minneapolis e do estado de Minnesota clamou que o ICE se retire imediatamente e que o agente que matou Renee seja levado a julgamento. Bem como o fim do financiamento federal adicional para a milícia trumpista e que o ICE seja investigado por violações dos direitos humanos e constitucionais.

VANCE DEFENDE O ASSASSINO

Na quinta-feira, o próprio vice de Trump, JD Vance, foi a Minneapolis, buscando dificultar a resistência popular à deportação em massa e ao arbítrio que nada respeita – seja creche, tribunal ou igreja – para capturar imigrantes, dividir famílias e ameaçar comunidades.

Também quase diariamente surgem novas evidências dos desmandos da ditadura Trump. Veio a público que o ICE determinou que seus jagunços invadam as casas que quiserem sem mandado judicial, passando por cima das proteções da Quarta Emenda em busca dos “aliens”. Também o caso do menino de cinco anos, Liam Conejo Ramos, usado como “isca”, para prender o pai.

Sucedem-se os casos de cidadãos naturalizados norte-americanos que são presos, enquanto é prática generalizada fazer o “perfilamento racial”, isto é, prender por causa da cor. O diretor de Polícia de Minneapolis denunciou que os jagunços do ICE têm importunado policiais de folga por serem latinos ou negros.

Nos bairros de maioria latina, o comparecimento às aulas caiu fortemente, sob o terror do ICE, com as famílias deixando as crianças em casa, com medo de que sejam detidas.

Na coletiva de imprensa de 30 minutos em Minneapolis, o vice Vance teceu elogios à Gestapo de Trump, dizendo que estão fazendo um “trabalho fantástico” apesar dos “agitadores de extrema-esquerda” causadores de “caos”.

Vance voltou a mentir que Renee teria “abalroado” o agente do ICE com seu carro, culpada, portanto, da própria morte. O escritório Romanucci & Blandin, que representa a família dela, divulgou uma autópsia independente confirmando que o agente do ICE atirou três vezes: uma no antebraço esquerdo, outra no seio direito e o último tiro fatal no lado direito da cabeça, na têmpora. A bala saiu pelo lado esquerdo da cabeça dela.” Obviamente, se Ross tivesse sido “abalroado” por Good, ele não teria conseguido disparar três tiros separados no corpo dela e sair calmamente da cena sem sofrer ferimentos.

AS PRÓPRIAS ESTATÍSTICAS DO ICE O DESMENTEM

A ditadura Trump também acusa o governador Tim Walz, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, e o procurador-geral de Minnesota, Keith Ellison, de conspirarem para dificultar as operações do ICE no estado, e eles receberam intimações ao grande júri como parte de uma investigação do Departamento de Justiça trumpista.

O atual capo da Casa Branca, para se reeleger, abriu os esgotos nos EUA, ao estilo fascista, atribuindo aos “imigrantes ilegais” todo tipo de anormalidade – terem saído de “hospícios e penitenciárias”, serem “estupradores” e “traficantes” – os “piores dos piores”. Mas as próprias estatísticas do ICE mostram que a imensa maioria dos que foram presos, melhor dizendo na atual situação, sequestrados, não tem qualquer ficha criminal, nem condenação.

Ele também tem ameaçado repetidamente usar a “lei anti-insurreição” para decretar lei marcial em Minneapolis e chegou a colocar 1500 soldados de prontidão para a medida.

A ideia fixa de Trump sobre o assédio a Minneapolis possivelmente está ligada, também, ao fato de que foi exatamente ali que o assassinato de George Floyd “não posso respirar” desencadeou uma revolta nacional que foi imprescindível para barrar sua reeleição. Também Waltz, o governador de Minnesota, que foi vice de Kamala na última eleição. O estado também tem uma grande comunidade somali, contra a qual Trump fabricou uma acusação de fraude, visando estimular a xenofobia e tirar vantagem eleitoral.

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