Díaz-Canel condena Trump por ameaças de “agressão militar” a Cuba

Tendo ao fundo a imagem do comandante Fidel Castro e uma frase de José Martí, Díaz-Canel reiterou o compromisso dos cubanos de defenderem as conquistas da Revolução (Granma)

O líder cubano denunciou os EUA por “patrocinar o terrorismo de Estado” e “ser quem realmente representa um perigo para a segurança e a paz global”

O presidente Miguel Díaz-Canel reiterou que o compromisso do povo cubano é resistir com criatividade ao bloqueio econômico, imposto há mais de seis décadas pelos Estados Unidos, e garantir a continuidade do regime socialista. Ele condenou de forma veemente o cinismo do governo Trump de “derrotar a Revolução Cubana” e tentar converter a ilha em terra arrasada.

Em reunião com a imprensa nacional e internacional nesta quinta-feira (5), Díaz-Canel destacou que o “colapso está muito relacionado com a teoria do Estado falido e com todo um grupo de construções com que o governo dos EUA tem tratado de caracterizar a situação cubana”, esquecendo que “nascemos e vivemos bloqueados, tendo como funcionar em meio a pressões tão prolongadas”.

São duas direções que Washington com “seu propósito hegemônico” tem trabalhado para minar as imensas potencialidades e as conquistas da ilha, condenou o líder cubano. Um é o da “asfixia econômica”, por meio do criminoso bloqueio que mantém desde a década de 60, e o outro o da “agressão militar”.

O fato, revelou, é que ao contrário do propagandeado pelos EUA e sua mídia não existe um “Estado falido”, mas um “Estado que teve de enfrentar com muita resistência as máximas pressões”. “Não de qualquer, as máximas pressões para a asfixia econômica vindas da principal potência do mundo”, esclareceu o líder.

“TEMOS CONVICÇÕES DE IDEIAIS E DE VITÓRIA”

“Diante do colapso está o conceito da resistência, da resistência criativa, que tem que ver com as defesas de ideias nas que acreditamos, com defesas de convicções que acreditamos, com uma convicção de vitória na qual também acreditamos’’, apontou.

O governo cubano estaria disposto a dialogar com o norte-americano “sobre qualquer tema que quisesse”, obviamente, mas “sem pressões” e sem “pré-condicionantes”, “em uma posição de iguais”, respeitando a soberania da nação caribenha, sua autodeterminação e sem qualquer interferência em seus assuntos internos. Com estas palavras, Díaz-Canel desmentiu as declarações de Trump sobre uma pretensa “negociação” em curso.

Em relação a uma ordem executiva firmada pela Casa Branca a respeito de que a nação caribenha representaria uma suposta “ameaça incomum e extraordinária” à segurança dos Estados Unidos, o presidente cubano assegurou que é uma lorota. Jamais poderia servir como justificativa para sobretaxar e perseguir a países que vendam petróleo para a ilha, disse Díaz-Canel, sendo taxativo em descrever como “uma desfaçatez e uma imoralidade”. “É uma manipulação, uma mentira e uma calúnia”, enfatizou.

Sobre a propaganda de Washington de tentar associar Cuba à violência e ao desrespeito aos direitos humanos, o presidente assinalou que são os EUA como um dos países que mais apoiam o “terrorismo de Estado”, promovem guerras e lucram com elas.  “Qual é o principal Estado que é um perigo para a segurança e a paz no mundo? São os Estados Unidos, esta é a visão que eu tenho sobe o tema”, declarou.

Quanto a uma pretensa “relação de dependência” com a Venezuela e as debilidades que haveriam sido expostas a partir do sequestro do presidente Nicolás Maduro em 3 de janeiro, Díaz-Canel ridicularizou aos que pretendem “reduzi-la a um intercâmbio de serviços e mercadorias, pois esta não é a realidade”.

COOPERAÇÃO, INTEGRAÇÃO E COMPLEMENTARIDADE COM A VENEZUELA

Desde quando o comandante Hugo Chávez liderou a Revolução Bolivariana, no começo do século na Venezuela, “forjou-se toda uma relação de cooperação e colaboração, baseada em princípios de solidariedade e, sobretudo, de integração e complementaridade, como duas nações irmãs, amigas, que podiam tirar proveito do potencial uma da outra”. Díaz-Canel explicou que, há mais de 25 anos, surgiu um amplo acordo de cooperação, abrangendo “muitas áreas”, incluindo energia, soberania alimentar, educação, alfabetização, indústria, mineração e telecomunicações, potencializando forças com base na integração.

O presidente cubano defendeu que essa relação também incluía o fornecimento de “uma parcela significativa das necessidades de combustível da ilha”, mas que veem se reduzindo, como é de conhecimento público, pois a Venezuela também ficou sujeita a sanções. Além disso, o fornecimento foi severamente afetado desde que os norte-americanos iniciaram seu “bloqueio energético” e “bloqueio naval” contra a Venezuela no ano passado.

Frente ao recrudescimento de ataques dos EUA contra a ilha caribenha, Díaz-Canel comemorou a onda de solidariedade, por haver “muitas pessoas, governos, países, instituições e empresas dispostas a trabalhar com Cuba, e elas já compartilharam conosco maneiras, mecanismos e intenções sobre como podemos fazer isso”. Neste sentido, agradeceu o apoio de potências como China e Rússia, além de vários países da América Latina, que continuam estreitando laços e construindo pontes, apesar das pressões trumpistas.

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