Dinheiro vivo apreendido: Sóstenes se enrola para explicar se imposto foi pago

Quase meio milhão em dinheiro vivo foram encontrados na casa de Sóstenes (Fotos: Reprodução - Mário Agra - Câmara dos Deputados)

O líder do PL bolsonarista alegou que o dinheiro apreendido era proveniente da venda de um imóvel

O deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), líder do PL na Câmara, disse que não sabe se foi pago o Imposto de Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) na suposta venda de uma casa que justificaria os R$ 470 mil em dinheiro vivo que foram encontrados pela Polícia Federal com ele.

“Só o cartório e o comprador podem te responder”, falou ao ICL Notícias. Caso o ITBI não tenha sido pago, a transferência da propriedade não foi concluída.

Segundo ICL Notícias, questionado, então, se ele estaria afirmando que não sabe se a transação do imóvel foi de fato concluída, ele respondeu: “Não estou falando isso; estou te dizendo que eu respondo como vendedor do imóvel, eu não posso dar respostas pelo cartório e nem pelo comprador”.

Em dezembro de 2025, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 470 mil em espécie em um flat alugado por Sóstenes Cavalcante em Brasília.

A apreensão foi feita no âmbito da Operação Galho Fraco, que investiga Sóstenes e o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) por desvio de cotas parlamentares.

Sóstenes disse que o dinheiro veio da venda, feita no valor de R$ 500 mil, de um imóvel em Ituiutaba, cidade na região do Triângulo Mineiro.

O detalhe é que a escritura de venda da casa em Ituiutaba (MG) foi assinada no dia 30 de dezembro, 11 dias após a PF apreender o dinheiro, no dia 19 de dezembro.

Ele declarou que a transação ocorreu em 24 de novembro, quando um contrato particular entre ele e o comprador foi assinado. Segundo Sóstenes, esse documento previa a assinatura da escritura até o fim do ano. A escritura assinada no dia 30 de dezembro cita o contrato particular mencionado por ele, mas não lista esse acordo entre os papéis apresentados ao tabelião no ato da escritura.

O deputado teria comprado a casa em 2023, e, por isso, ela não aparece em sua declaração de bens nas eleições de 2022. A venda teria ocorrido, segundo a versão de Sóstenes, em novembro de 2025.

A suspeita da Polícia Federal é que Sóstenes e Jordy utilizaram a verba de cotas parlamentares, que são disponibilizadas pela Câmara para pagar gastos relacionados ao trabalho, para enriquecer.

Eles teriam contratado empresas de fachada, como uma locadora de veículos, para receber “de volta” uma parte do dinheiro.

A PF revelou que dois assessores dos deputados movimentaram cerca de R$ 18 milhões em débitos com transferências sem identificação, o que seria incompatível com “a capacidade econômica” deles.

Ainda em dezembro, após a operação da PF, Sóstenes Cavalcante falou que vendeu “um imóvel e recebi, dinheiro lacrado, tudo normal. É uma venda de um imóvel que estará, já está o imóvel declarado no meu Imposto de Renda, tudo, não tem nada de ilegalidade quanto a isso”.

Agora, ele disse que a Receita Federal só será “informada na declaração anual de Imposto de Renda, o que será feito no prazo estabelecido em lei”.

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