Direitos Já! repele “agressão armada” e “sequestro do presidente da Venezuela”

Bombardeio dos EUA contra Caracas aconteceu na madrugada (Foto: STR/AFP)

Ataques dos EUA “representam não apenas um atentado à ordem democrática, mas também um precedente extremamente perigoso para a estabilidade regional e global”, adverte o grupo

O Direitos Já! Fórum pela Democracia lançou documento com “repúdio ao bombardeio e ao sequestro do Presidente da República da Venezuela”.

O Fórum considera que o “sequestro de um chefe de Estado em exercício e o emprego de força militar contra um país soberano representam não apenas um atentado à ordem democrática, mas também um precedente extremamente perigoso para a estabilidade regional e global”.

O Direitos Já! agrupa representantes e personalidades de vários partidos, tendo sido fundado em 2019 por representantes de PSDB, Cidadania, PT, PCdoB, PDT, PSOL, PV, REDE. Desde então, vários atos e mobilizações em defesa da democracia foram realizados pelo movimento.

“Para a democracia, nenhuma divergência política, ideológica ou estratégica pode legitimar atos de agressão armada, sequestro de autoridades ou a imposição de soluções pela força”, defende o movimento.

O texto do Direitos Já! alerta que a “história da América Latina demonstra de forma inequívoca que intervenções militares e ações coercitivas unilaterais produzem devastação institucional, crises humanitárias e prolongados ciclos de instabilidade política, incompatíveis com qualquer compromisso genuíno com a democracia e os direitos humanos”.

Leia a íntegra da nota do Direitos Já!:

Em defesa do povo venezuelano

O Direitos Já! Fórum pela Democracia manifesta seu mais veemente e inequívoco repúdio ao bombardeio e ao sequestro do Presidente da República da Venezuela, atos publicamente assumidos e confirmados por autoridades do Governo dos Estados Unidos da América, incluindo o Presidente Donald Trump. Tais ações constituem grave e flagrante violação do Direito Internacional, da Carta das Nações Unidas e dos princípios fundamentais da soberania dos Estados, da autodeterminação dos povos e da proibição do uso da força nas relações internacionais.

O sequestro de um chefe de Estado em exercício e o emprego de força militar contra um país soberano representam não apenas um atentado à ordem democrática, mas também um precedente extremamente perigoso para a estabilidade regional e global. A história da América Latina demonstra de forma inequívoca que intervenções militares e ações coercitivas unilaterais produzem devastação institucional, crises humanitárias e prolongados ciclos de instabilidade política, incompatíveis com qualquer compromisso genuíno com a democracia e os direitos humanos.

O Direitos Já, Forum pela Democracia repudia de forma veemente esse novo atentado do governo norte-americano contra a paz, a concórdia e a cooperação internacional. Trump tem estimulado os conflitos internacionais, fracassou até agora em suas tentativas de encerrar a guerra da Rússia contra a Ucrânia e apoiou Israel em seus ataques genocidas contra a Palestina.

Para a democracia, nenhuma divergência política, ideológica ou estratégica pode legitimar atos de agressão armada, sequestro de autoridades ou a imposição de soluções pela força. Conflitos internacionais devem ser tratados exclusivamente por meios pacíficos, mediante diálogo diplomático, negociações multilaterais e o pleno respeito às instâncias do sistema internacional, em especial às Nações Unidas e aos mecanismos regionais de concertação política.

O princípio de autodeterminação dos povos, consagrado pela Carta e pelos Acordos celebrados pela ONU, vem sendo progressivamente desrespeitado pelos Estados Unidos, país que abandonou os princípios do multilateralismo e do diálogo para enfrentar as crises internacionais.

Por isso, o Direitos Já conclama todos os seus participantes, assim como as demais forças democráticas do Brasil, a se mobilizarem, não apenas para repudiar esse ataque contra o país vizinho, mas para defender o direito de o povo venezuelano decidir em liberdade os seus assuntos internos e o tipo de governo que querem para si. O bombardeio contra um povo indefeso não é o caminho adequado para se construir a democracia na Venezuela ou em qualquer outra Nação do mundo.

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Uma resposta

  1. É urgente convocar um encontro de todos os partidos políticos e organizações sociais da América Latina que se opõem à Doutrina Monroe 2.0 de Trump, com o propósito de organizar e coordenar um vigoroso movimento anti imperialista em todos os países latinoamericanos. Esse movimento poderia ser, no futuro próximo, um embrião para a defesa da criação da chamada “Pátria Grande”, bloco político , econômico, social e cultural, integrado pelos referidos países e, a meu ver, única forma de conter em definitivo o projeto de recolonização da América Latina perseguido por Donald Trump.

    PS: Se a Venezuela estivesse integrando os BRICS não creio que seria tão facilmente atacada pelo imperialismo como o foi. O governo Lula, com sua tendência à conciliação de interesses de classe antagônicos, tem parte da responsabilidade por essa agressão.

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