Com a casa lotada, a assembleia dos trabalhadores dos Correios de São Paulo, no último dia do ano, 31 de dezembro, derrotou a resistência da direção da empresa e aprovou a proposta definida pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST), apresentada no dia 30, que garantiu a reposição da inflação, manutenção dos benefícios e funções, 70% das férias e preservação da maioria das cláusulas do Acordo Coletivo do Trabalho. A assembleia marcou ainda o encerramento da greve para o dia 5 de janeiro, visto o compromisso da empresa de considerar esta sexta-feira (2) como ponto facultativo.
Para Elias Diviza, presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Correios de São Paulo (SINTECT-SP), “a preocupação agora é que o empréstimo de R$ 12 bilhões [aprovado em acordo entre Correios, governo e bancos] seja utilizado corretamente no fortalecimento da empresa. Se não for, os maiores prejudicados serão os trabalhadores. Por isso, a prioridade é para que os trabalhadores sejam ouvidos no plano de reestruturação. Queremos acompanhar o gasto desse dinheiro, ficaremos em alerta”, afirma o dirigente.
Para Ronaldo Leite, presidente em exercício da CTB (Central dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Brasil) e diretor do sindicato dos Correios do Rio de Janeiro, o “diferencial desta greve foi a unidade nacional da categoria”. “Sem a greve, que atingiu nove estados, não teríamos sensibilizado o TST”.
Leite destaca que os Correios concorrem com empresas que não respeitam a legislação trabalhista, não pagam os direitos, com turnos de trabalho de 12, 14 horas, sem carteira assinada, sem férias, sem 13º salário. Os Correios entregam encomendas para 5.570 municípios, quando apenas 300 dão lucro e, neste sentido, cumprem o papel fundamental de integração nacional. “O que parece ser fraqueza, é a força dos Correios”, conclui.
CARLOS PEREIRA











