Educadores brasileiros declaram apoio à luta anticolonial saarauí

A República Árabe Saarauí Democrática (RASD) recebeu um reforço no combate por liberdade, soberania, independência nacional e reconhecimento (CNTE)

Dois mil delegados presentes ao 35° Congresso da CNTE defendem intensificar a mobilização pelo fim da última colônia da África

Cerca de dois mil delegados de todo o país presentes ao 35° Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE), reunidos em Brasília entre os dias 15 e 18 de janeiro, reafirmaram apoio à luta anticolonial do povo saarauí contra o reinado do Marrocos. Última colônia da África, a República Árabe Saarauí Democrática (RASD) recebeu um reforço no combate por liberdade, soberania, independência nacional e reconhecimento.

“O objetivo anticolonial do movimento saarauí é a aplicação do direito à autodeterminação, para que decida em referendo, conforme resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), qual o seu futuro:  se quer a independência ou permanecer sob jugo estrangeiro. A Frente Polisário já declarou que aceitará a decisão do povo saarauí de forma definitiva. O Marrocos e seus aliados manobram para impedir a realização do referendo, protelado desde 1991”, apontou a moção aprovada. 

Francisca Pereira da Rocha Seixas, Secretária de Assuntos Educacionais e Culturais da Apeoesp e dirigente da CNTE, salientou que “para que se construa a paz no norte da África, é necessário o fim da ocupação militar do território do Saara Ocidental pelo Marrocos, o fim das graves violações de direitos e a libertação dos presos políticos saarauís”.

Delegada por São Paulo, a professora Monica Fonseca Severo declarou que “é preciso conhecermos e divulgarmos mais as lutas travadas contra as potências que invadem nações em busca das riquezas, massacrando os povos na África, na Ásia e na América Latina”. “Trata-se de uma necessidade, pois quando nossos territórios são invadidos por estes piratas, não há escola, nem água, nem emprego, nem segurança. Basta ver como agem pelo mundo, na Iugoslávia, no Iraque, na Palestina, na Líbia e agora na Venezuela”, apontou a educadora.

“Tive a honra de participar de uma caravana e estar nos campos de refugiados saarauís, em território cedido pela Argélia. A luta deste bravo povo, que no exílio construiu sua República Democrática é contra um reinado que age a serviço dos EUA, da França, com apoio dos sionistas. Nosso movimento não é contra o povo marroquino, que também é vítima de um sistema que visa somente enriquecer a mesma banca de vampiros que sugam vidas pelo mundo”, continuou Monica.

O documento aprovado reafirma a necessidade de que o governo brasileiro, em respeito ao Direito Internacional, reconheça a República Árabe Saarauí Democrática, que é membro fundador da União Africana (UA) e reconhecida por 84 países. Atualmente, o Brasil reconhece apenas a Frente Polisário – sua representação política.

SOLIDARIEDADE ULTRAPASSA FRONTEIRAS

Com o tema “Educação, Democracia, Sustentabilidade e Soberania”, o Congresso que elegeu Fátima Silva presidenta da CNTE, debateu a conjuntura nacional e internacional, política educacional e sindical, em plenárias, grupos de trabalho e atividades culturais. 

Ocorreram painéis com convidados como o neurocientista Miguel Nicolelis, a senadora Teresa Leitão e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, e o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos.

No lançamento da série de TV “Operação Condor”, o presidente do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) no Distrito Federal, João Vicente Goulart salientou a importância de estudarmos sempre o que fizeram as ditaduras no nosso continente, subservientes ao imperialismo. “É necessário lembrar para que não se repita”, salientou o filho de Jango.

Diretor da série que conta com apoio da CNTE, Cleonildo Cruz resgatou o significado de homenagear figuras que enfrentaram com altivez o autoritarismo no Brasil e na América do Sul. No episódio brasileiro, quatro nomes da resistência são lembrados: Rubens Paiva, Stuart Angel, Zuzu Angel e Paulo Freire, símbolo de uma educação libertadora. Os episódios retratam o pacto repressivo que resultou na perseguição, tortura, assassinato e desaparecimento de milhares de pessoas.

Representantes sindicais de diversos países levaram mensagens de solidariedade e reafirmaram que a defesa da soberania e autodeterminação dos povos, da educação pública, da democracia e dos direitos trabalhistas ultrapassa fronteiras.

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