Em conversa com Trump, Lula defende diálogo com palestinos para resolver situação de Gaza

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Valter Campanato - Agência Brasil)

Na contramão da política do atual inquilino da Casa Branca, presidente brasileiro defendeu o fortalecimento da ONU e a diplomacia como instrumento para solucionar os conflitos, como o da Venezuela

Em ligação realizada nesta segunda-feira (26) com o atual ocupante da Casa Branca, Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao tratar do convite formulado ao Brasil para participar do “Conselho de Paz” proposto pelos Estados Unidos para tratar da ocupação da Faixa de Gaza, sugeriu que ação do órgão se limite à região e que “preveja assento para a Palestina”.

Na conversa que durou certa de 50 minutos, a questão relativa ao chamado “Conselho de Paz” foi abordada, mas o presidente brasileiro ainda não respondeu ao convite formulado pela Casa Branca, embora alguns assessores próximos de Lula, entre os quais o principal deles para assuntos internacionais, o ex-chanceler Celso Amorim, não recomenda a adesão, por se tratar de evidente manobra de Trump para impor seus interesses na região, buscando legitimação com outros líderes mundiais.

Na ocasião, Lula reiterou “a importância de uma reforma abrangente da Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanente do Conselho de Segurança”.

A proposta do presidente reaviva a preocupação do Brasil – como de demais países do mundo – com a caducidade da configuração atual dos organismos de decisão da ONU frente às recorrentes crises fabricadas pelos Estados Unidos, hoje sob o comando de um notório fascista, que busca, através de chantagens, ameaças e agressões militares, recuperar o império em franco declínio às custas da expropriação das riquezas naturais de outras nações.

É urgente a reforma das Organizações das Nações Unidas, disse Lula a Trump.

Tanto uma proposta quanto a outra, certamente, não devem ter ecoado bem nos ouvidos de quem, na presidência dos EUA, age como um ditador nos assuntos domésticos, como aconteceu recentemente na repressão aos imigrantes em diversas cidades norte-americanas, que resultou na morte de um trabalhador da área da saúde, como nos externos, algo que ficou evidenciado no sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e nos ataques a países como o Irã que não rezam pela cartilha de Trump.

No caso da situação da Venezuela, o presidente brasileiro voltou a defender o instrumento diplomático para solucionar impasses, preservar a paz e a estabilidade da região, bem como trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.

A conversa também abordou o desempenho econômico dos dois países, especialmente depois que Trump teve que recuar na decisão de impor um tarifaço de 50% sobre as exportações do Brasil para os EUA, tanto em razão da manifesta injustiça da medida unilateral adotada pela Casa Branca (que continua utilizando esse nefasto instrumento de pressão sobre outras nações), como também pelo rechaço de amplos setores da população americana, revoltada com os reflexos negativos da medida na própria economia estadunidense.

Em outro trecho da conversa, o presidente brasileiro reiterou a proposta de fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado, encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro. Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas. A proposta, segundo a nota divulgada pelo Palácio do Planalto, foi bem recebida pelo norte-americano.

Ainda no diálogo, os dois acertaram a realização de uma visita de Lula a Washington em data que será definida após a viagem internacional que o presidente brasileiro fará, no mês de fevereiro, à Índia e à Coreia do Sul.

Veja a nota do governo brasileiro na íntegra:

“O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manteve, hoje, 26 de janeiro, às 11 horas, conversa telefônica com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ao longo de cinquenta minutos, os dois líderes abordaram temas relacionados à relação bilateral e à agenda global.

Os presidentes trocaram informações sobre indicadores econômicos dos dois países, que apontam boas perspectivas para as duas economias. O presidente Trump afirmou que o crescimento econômico dos Estados Unidos e do Brasil é positivo para a região como um todo.

Ambos saudaram o bom relacionamento construído nos últimos meses, que resultou no levantamento de parte significativa das tarifas aplicadas a produtos brasileiros.

O presidente Lula reiterou proposta, encaminhada ao Departamento de Estado em dezembro, de fortalecimento da cooperação no combate ao crime organizado. Lula manifestou interesse em estreitar a parceria na repressão à lavagem de dinheiro e ao tráfico de armas, bem como no congelamento de ativos de grupos criminosos e no intercâmbio de dados sobre transações financeiras. A proposta foi bem recebida pelo presidente norte-americano.

Ao comentar o convite formulado ao Brasil para que participe do Conselho da Paz, Lula propôs que o órgão apresentado pelos Estados Unidos se limite à questão de Gaza e preveja assento para a Palestina. Nesse contexto, reiterou a importância de uma reforma abrangente das Organização das Nações Unidas, que inclua a ampliação dos membros permanentes do Conselho de Segurança.

No curso da conversa, Lula e Trump trocaram impressões sobre a situação na Venezuela. O presidente brasileiro ressaltou a importância de preservar a paz e a estabilidade da região e de trabalhar pelo bem-estar do povo venezuelano.

Os dois presidentes acordaram a realização de uma visita do presidente Lula a Washington após a viagem do brasileiro à Índia e à Coreia do Sul em fevereiro, em data a ser fixada em breve”.

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