Declaração de Huckabee é “violação flagrante dos direitos internacionais e da Carta da ONU”, repudiam países islâmicos e árabes
Em entrevista ao ex-âncora da Fox News, Tucker Carlson, que viajou até Israel especialmente para isso, o atual embaixador dos EUA, Mike Huckabee, assumidamente um “sionista evangélico” e ex-governador, foi amplamente rechaçado após sua declaração de que “tudo bem”” – após ser questionado que o suposto “direito bíblico” concedido aos “descendentes do profeta Abrão” englobaria “a maior parte do Oriente Médio”, passando por cima de fronteiras e, nos inexistentes ‘termos bíblicos’, indo do “Eufrates ao Nilo”. A entrevista foi ao ar na sexta-feira (20).
O achincalhe, ainda mais tóxico na medida em que Washington ameaça declarar guerra ao Irã com apoio de Israel nos próximos dias ou horas, desencadeou protestos generalizados entre árabes e muçulmanos, com uma capital após a outra se manifestando e o repúdio das três principais organizações ligadas a esses países, a Liga Árabe, a Organização de Cooperação Islâmica, esta com 53 países membros, e o Conselho de Cooperação do Golfo.
Em declaração conjunta, as três organizações condenaram veementemente a posição de Huckabee, classificando-a como “perigosa e provocativa”, e denunciando-a como “uma violação flagrante dos princípios do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, o que representa uma grave ameaça à segurança e à estabilidade da região”.
Pronunciaram-se contra, os governos da Arábia Saudita, a Autoridade Palestina, Síria, Líbano, Omã, Egito, Turquia, Kuwait, Paquistão, Indonésia, Líbano, Emirados Árabes Unidos, Omã e Bahrein.
Em suma, Huckabee endossou a tese do “Grande Israel”, que até recentemente nem todos os fascistas israelenses achavam conveniente explicitar. Essa tese do “espaço vital israelense”, copiada dos hitleristas, além de nitida usurpação colonialista, inviabiliza qualquer caminho para a paz.
As organizações e os principais países árabes e islâmicos reafirmaram que Israel não possui soberania sobre o território palestino ocupado ou qualquer outro território árabe ocupado. Rechaçaram qualquer tentativa de anexar a Cisjordânia ou separá-la da Faixa de Gaza, manifestaram sua firme oposição à expansão das atividades de assentamento no território palestino ocupado, ao que se une agora a rejeição categórica a qualquer ameaça à soberania dos Estados árabes.
O comunicado adverte que “a continuidade das políticas expansionistas e das medidas ilegais de Israel apenas alimentará a violência e os conflitos na região e prejudicará as perspectivas de paz”. A este respeito, reiteraram o seu firme compromisso com “o direito inalienável do povo palestino à autodeterminação e ao estabelecimento do seu Estado independente com base nas fronteiras de 4 de junho de 1967, bem como com o fim da ocupação de todos os territórios árabes”.
A provocação acontece dois dias após a inauguração, por Trump, de seu “Conselho da Paz”, que supostamente deveria ajudar a encontrar uma saída diplomática e pacífica para a crise de Gaza, mas cujo intento declarado – inclusive pelo plano apresentado pelo genro de Trump, Jared Kushnir, ao farsante Conselho da Paz – é gerar um lucrativo resort no Mediterrâneo, a “Riviera sobre cadáveres”.
Carlson, hábil entrevistador e que, politicamente, evolui para considerar que o apoio indiscriminado dos EUA a Israel fere seus princípios de “American First”, questionou com firmeza os conhecidos posicionamentos de Huckabee, sionista doente, notoriamente contrário ao Estado Palestino e até ao uso do termo “palestinos” para os descendentes de árabes expulsos sob a Nakba perpetrada por Israel.
Mais adiante na entrevista, o nomeado por Trump justificou a matança de crianças palestinas em Gaza pelo exército fascista israelense, e ainda culpou as vítimas pela própria morte: “todos do Hamas”.
Arábia Saudita condenou as declarações “irresponsáveis” do embaixador dos EUA, chamando-as de “violação do direito internacional”, da Carta da ONU e das normas diplomáticas.
“Declarações dessa natureza, extremistas e sem qualquer base sólida servem apenas para inflamar os sentimentos e despertar emoções religiosas e nacionais”, comunicou a Liga dos Estados Árabes.
O Kuwait rejeitou as tentativas de Israel de anexar a Cisjordânia e disse que Israel não tem direito sobre o território palestino ocupado ou a qualquer território árabe e se posicionou contra a criação de assentamentos e declarou apoio ao povo palestino.
O Ministério das Relações Exteriores do Iraque considerou as declarações de Huckabee como “um grave excesso que vão contra o direito internacional, a carta da ONU e infringem a soberania, independência e unidade territorial dos países”.











