Investimentos só na Europa e nos EUA, segundo anunciou o CEO da múlti italiana
Alvo de duras críticas pelos péssimos serviços prestados à população brasileira, a multinacional italiana Enel anunciou nesta segunda-feira (23) que vai aumentar os investimentos na Europa e nos Estados Unidos nos próximos três anos, que podem chegar a 53 bilhões de euros, sendo metade deste recurso destinados às redes de energia. Já os problemas dos apagões na cidade de São Paulo, o CEO global do grupo Enel, Flavio Cattaneo, propõe que “Jesus Cristo” resolva.
No evento para investidores, em Milão, Cattaneo disse que, “é impossível evitar o apagão” na cidade, porque “a infraestrutura em São Paulo é totalmente aérea e passa por dentro das árvores”.
“Se permanecer esse jeito (queda de árvores sobre a fiação), só tem um capaz de gerenciar, mas este não é humano, é Jesus Cristo, porque não é possível de outro jeito evitar o apagão”, disse Cattaneo, sinalizando que a Enel não pretende resolver os problemas de apagões, como eventual enterramento de cabos de energia.
“Nesse caso, acho que temos uma boa discussão para propor a eles [Prefeitura de São Paulo] uma solução definitiva, uma solução final, para evitar esse problema, porque, em nossa opinião, provavelmente não é a Enel que vai resolver”, comentou.
Em 10 de dezembro do ano passado, após fortes rajadas de ventos e tempestade, a Enel deixou mais de 2,2 milhões de clientes sem energia na Grande São Paulo, por mais de cinco dias em muitas áreas.
Antes disso, em 3 de novembro de 2023, a capital e a região metropolitana de São Paulo também foram atingidas por fortes ventos e chuvas e a empresa italiana demorou quase uma semana para restabelecer a energia elétrica para 2,1 milhões de clientes.
No início deste mês, moradores do centro de São Paulo enfrentaram mais de 24 horas sem energia elétrica. Sem informar a causa do apagão, Enel informou que a interrupção no fornecimento de energia foi registrada em um trecho da rede subterrânea. “A área é atendida por um sistema de distribuição subterrâneo, que exige procedimentos técnicos específicos para a identificação do ponto da ocorrência”, disse em nota.
A Enel lidera rankings de reclamações no Brasil, por falhas recorrentes no fornecimento de energia elétrica e demora no restabelecimento deste serviços. Além de São Paulo, a Enel administra distribuidoras de energia no Rio de Janeiro e no Ceará.
Sindicalistas e especialistas na área apontam, entre outras barbaridades em relação ao atendimento à população, demissões em massa e descaso na manutenção.
No período de 12 meses, a Aneel recebeu 165.632 queixas, deste a maioria é por falta de energia. A Enel Rio, concessionária que atua no Rio de Janeiro, aparece como a empresa mais reclamada do país. Na segunda colocação está Light, seguida pela CEEE Equatorial, Equatorial Piauí, e Enel Ceará, em quinto.
A Enel Ceará, que é responsável pela distribuição de energia no território cearense, acumulou três multas em 2025, cuja soma atingiu R$ 69 milhões, determinadas pela Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados do Estado do Ceará (Arce), que constatou irregularidades no atendimento aos consumidores.











