A Prefeitura de São Paulo confirmou a empresa espanhola Acciona como vencedora da licitação de R$ 2,09 bilhões para construir a ligação viária entre a Avenida Jornalista Roberto Marinho e a Rodovia dos Imigrantes, na Zona Sul da capital. A decisão foi publicada no Diário Oficial do município.
Apesar de ter apresentado uma proposta cerca de R$ 300 milhões mais cara do que a de concorrentes, a empresa conseguiu reverter o resultado inicial da concorrência após entrar com recursos administrativos e será responsável pelos projetos e pela execução das obras.
Inicialmente, a empresa ficou em terceiro lugar na concorrência. No entanto, a comissão técnica acatou o recurso apresentado pela Acciona e desclassificou o consórcio que estava na primeira colocação. A obra do Complexo Viário Roberto Marinho, na Zona Sul da capital paulista, busca criar uma conexão entre a avenida Roberto Marinho e a rodovia dos Imigrantes, além da construção de um parque linear ao longo do córrego Água Espraiada.
Segundo a prefeitura, o Consórcio Expresso Roma – CER (Álya/OECI) foi desclassificado por apresentar proposta em desacordo com o edital, ao suprimir viadutos e o sistema de macrodrenagem exigido. O valor apresentado foi de R$ 1,8 bilhão.
A Acciona também conseguiu ultrapassar o consórcio que havia ficado em segundo lugar após pedir a revisão das notas técnicas atribuídas ao projeto. O Consórcio Nova Roma apresentou proposta de R$ 1,9 bilhão.
A Acciona é a empresa responsável pela construção da Linha 6 (Laranja), que vai ligar a Brasilândia, na Zona Noroeste, até São Bento, no Centro de São Paulo. A empresa também é uma das possíveis interessadas no projeto do Novo Centro Administrativo, um complexo nos Campos Elíseos que vai reunir os órgãos da administração estadual e será licitado em fevereiro.
Em nota, o Consórcio Expresso Roma informou que entrou com um mandado de segurança para anular a assinatura do contrato “visando garantir uma análise técnica e jurídica aprofundada do certame a partir dos laudos apresentados”.
Segundo o Expresso Roma, a sua proposta “é a mais vantajosa para São Paulo, sendo cerca de R$ 300 milhões mais econômica que a escolhida, e cumpre 100% do objeto do edital”.
O consórcio reiterou que o seu projeto usa “inovações de engenharia expressamente previstas e incentivadas pela Lei de Contratações Integradas (13.303/2016), que existe justamente para que as empresas não apenas copiem o esboço, mas tragam novas alternativas e otimização ao projeto”.
Em nota, a SP Obras afirmou que a licitação “respeitou toda a legislação vigente, atendendo aos critérios de transparência” e que o consórcio Expresso Roma foi desclassificado “por excluir de sua proposta itens essenciais do projeto, como a construção de túneis e intervenções de macrodrenagem, cujos valores ultrapassam R$ 300 milhões, o que inviabiliza sua comparação com as demais propostas. Sobre o Consórcio Nova Roma, após a análise da capacidade técnica dos concorrentes, as pontuações anteriormente atribuídas foram revisadas, ficando na segunda colocação”.
OBRA
O projeto inclui o prolongamento da Roberto Marinho para que ela se ligue diretamente à Rodovia dos Imigrantes. Além disso, prevê a construção de um parque linear ao redor do córrego que corta toda a via, e um sistema de drenagem na região, que costuma sofrer com alagamentos frequentes.
Trata-se de uma obra prevista há décadas. A conexão entre as duas vias é prevista desde a gestão Paulo Maluf, em 1996, e estava incluído na construção da Avenida Águas Espraiadas, antigo nome da Avenida Roberto Marinho. Maluf foi condenado por corrupção por causa de superfaturamento e desvios de verba nesta obra, mas o túnel em si nunca foi para frente. A ideia do túnel foi tentada novamente pelos prefeitos Gilberto Kassab (PSD) e Fernando Haddad (PT), mas acabou não saindo.
O projeto prevê a implantação de dois túneis sob a Avenida Eng. Armando de Arruda Pereira, com 460 metros de extensão, e a construção está prevista para começar em dezembro deste ano e terminar em 2030. Na mesma via, também deve ser construído o Parque Linear previsto desde 2001 quando foi criada a Operação Água Espraiada.











