“Morrer não está no currículo e “Viva a educação, abaixo as armas”, clamam os estudantes que foram às ruas na capital alemã e mais 138 cidades durante a ‘Greve Escolar contra a conscrição’
Dezenas de milhares de estudantes alemães do ensino médio foram às ruas na quinta-feira (5) contra uma lei recém adotada de alistamento, em meio ao clima paranóico pelo “rearmamento europeu e preparação para a guerra” e com o premiê Friedrich Merz tendo colocado como meta fazer da Alemanha, como nos tempos de Hitler, o “maior exército europeu”.
O protesto coincide com o ataque não provocado do eixo EUA-Israel ao Irã, que já matou em seis dias 1312 civis iranianos, um terço deles crianças, e que perpetrou uma chacina em uma escola de meninas no primeiro dia, enquanto as leis internacionais são rasgadas à luz do dia. E com mais de dois anos de genocídio em Gaza, perpetrado por Israel com o apoio dos EUA e da Alemanha.
A ‘Greve Escolar contra a conscrição’ ocorreu em Berlim e mais 138 cidades alemãs, segundo os organizadores, reunindo 50 mil estudantes, dez mil só na capital. Os manifestantes convergiram para a icônica Potsdamer Platz, em Berlim, carregando cartazes que diziam “Morrer não está no currículo”, “Friedrich Merz para o front”, “Uma cabeça inteligente não cabe sob um capacete de aço” e “Nunca, nunca, nunca mais conscrição”.
Sob a nova Lei de Modernização do Serviço Militar, todos os homens alemães de 18 anos devem se registrar para o serviço potencial preenchendo um questionário e passando por um exame médico a partir deste ano. A legislação estipula que recrutas poderiam ser convocados por sorteio caso as forças armadas enfrentem escassez de pessoal, mas o parlamento também pode, simplesmente, já com a lista dos possíveis alistados em mão, simplesmente restabelecer o alistamento obrigatório, que foi abolido em 2011.
O protesto recebeu a solidariedade das entidades populares e dos sindicatos, bem como dos partidos Die Linke (A Esquerda) e BSW.
Um dos organizadores denunciou ao veículo de mídia Tagesschau que a nova legislação é uma “fase preparatória para o recrutamento obrigatório”. Ele acrescentou que “com sua responsabilidade histórica, a República Federal deveria defender soluções pacíficas e diplomacia – não o rearmamento”.
No ano passado, para aumentar exponencialmente os gastos militares o ministro da Defesa, Boris Pistorius, alegou que a Rússia poderia atacar um membro da OTAN “já em 2028”, enquanto Merz diz que a economia alemã já não tem como bancar o “Estado de Bem Estar Social”.
Em resumo, menos saúde, menos educação, menos aposentadoria e mais armas. Com a desindustrialização se acelerando sob a política de vassalagem aos EUA, pagando quatro vezes mais pelo gás, e de ruptura com a Rússia, setores em Berlim têm sonhado em adiar o declínio transformando fábricas de veículos em decadência em fábricas de armas.
Em Colônia, estudantes de cinco escolas e apoiadores marcharam pelo centro da cidade, exigindo: “Viva a educação, abaixo as armas!”
David, estudante do ensino médio do Kaiserin-Augusta-Gymnasium, explicou por que participou da “greve estudantil contra o alistamento militar obrigatório”: “Não tenho a menor vontade de lutar por um sistema que negligencia completamente os jovens. E não por um governo que prefere investir 100 bilhões em rearmamento em vez de reformar escolas em ruínas. […] Nosso sistema educacional e nosso estado de bem-estar social estão sendo sistematicamente subfinanciados, de modo que agora uma em cada cinco crianças cresce na pobreza.”
Moritz, da Juventude Operária Socialista Alemã (SDAJ), denunciou a expansão da OTAN e o rearmamento, acrescentando que a agressividade do imperialismo ocidental também é evidente na guerra de agressão contra o Irã. “Nossa vida em paz só pode ser alcançada contra o Governo Federal Alemão, contra a UE, contra a OTAN e contra as grandes corporações que lucram com essas guerras.”
Lembrando como a Primeira Guerra Mundial parou, ele chamou os estudantes a recusarem o chamado para a guerra. “Os objetores de consciência só se recusaram a servir em 1918, após quatro anos de guerra mundial. Devemos fazer isso mais cedo desta vez para evitar milhões de mortes e sofrimento inimaginável em uma grande guerra.” Ele se dirigiu aos belicistas: “Não travaremos suas guerras.” – “Hoje, nossas escolas permanecem vazias, porque os ricos querem guerra, os jovens querem um futuro!”











