EUA destruiu central: Brasil doa 100 toneladas de remédios para Venezuela

Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Centro de distribuição de medicamentos em Guarulhos (Fotos: Valter Campanato/Agência Brasil - Rafael Nascimento/MS)

Governo brasileiro anuncia ajuda humanitária emergencial após ataque americano comprometer abastecimento de medicamentos e atingir pacientes em tratamento contínuo

O governo brasileiro anunciou, na última quinta-feira (8), a doação de 100 toneladas de medicamentos e insumos de saúde à Venezuela, em resposta à destruição do principal centro de distribuição de remédios do país vizinho após agressão militar dos Estados Unidos, ocorrido no último sábado (3).

A agressão americana no país vizinho agravou de forma imediata o colapso do sistema de abastecimento médico venezuelano, já pressionado por sanções internacionais e dificuldades estruturais, o que afetou, sobretudo, pacientes em tratamento contínuo.

AJUDA HUMANITÁRIA EMERGENCIAL

De acordo com o Ministério da Saúde, a iniciativa tem caráter estritamente humanitário e busca mitigar os impactos do ataque sobre a população civil, em especial pessoas submetidas à hemodiálise e a outros tratamentos de alta dependência logística.

A primeira remessa, com 40 toneladas de insumos, já foi enviada e entregue em Caracas, contendo filtros, cateteres, medicamentos de uso contínuo e materiais hospitalares essenciais.

Segundo estimativas das autoridades venezuelanas, cerca de 16 mil pacientes renais foram diretamente afetados pela destruição do centro logístico.

“O Brasil tem estoques seguros e capacidade de solidariedade. Essa doação não compromete o atendimento dos aproximadamente 170 mil pacientes em diálise atendidos pelo SUS”, afirmou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

COOPERAÇÃO REGIONAL E RECIPROCIDADE

Em carta endereçada à ministra da Saúde da Venezuela, Magaly Gutiérrez, Padilha destacou que a decisão do governo brasileiro também se ancora em princípios de cooperação regional e reciprocidade.

“Não podemos esquecer que, durante a pandemia da covid-19, a Venezuela disponibilizou ao Brasil 130 mil metros cúbicos de oxigênio, fundamentais para salvar vidas em um momento crítico”, afirmou o ministro.

O governo brasileiro ressalta que a ação não se confunde com posicionamentos políticos ou diplomáticos, mas responde à situação humanitária agravada por ação militar externa, cujos efeitos recaem diretamente sobre a população civil.

LOGÍSTICA E COMPOSIÇÃO DA DOAÇÃO

As 100 toneladas de medicamentos e insumos estão sendo reunidas a partir de doações de hospitais universitários, unidades públicas, instituições filantrópicas e centros de saúde de diversas regiões do País.

O material está concentrado no Centro de Distribuição de Insumos e Medicamentos do Ministério da Saúde, em Guarulhos (SP), de onde será despachado em etapas nas próximas semanas até que o volume total prometido seja integralmente entregue.

As remessas incluem medicamentos de uso hospitalar, insumos para terapias renais, materiais descartáveis e equipamentos de suporte, considerados críticos após a destruição da infraestrutura venezuelana de distribuição.

CONTEXTO POLÍTICO E HUMANITÁRIO

A iniciativa brasileira ocorre em meio a cenário de forte instabilidade política e humanitária na Venezuela, aprofundado após o ataque dos Estados Unidos, que destruiu o maior centro médico-logístico do país e intensificou a escassez de remédios.

Observadores internacionais apontam que a combinação entre sanções econômicas, dificuldades logísticas e ações militares têm ampliado o sofrimento da população civil.

Ao anunciar a doação, o governo brasileiro reafirmou o compromisso com a defesa do direito à saúde, do princípio da não indiferença humanitária e da solidariedade entre países da região.

E destacou ainda que novas ações poderão ser avaliadas conforme a evolução da crise.

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