Ex-deputada federal afirma temer “um risco para a democracia brasileira” e diz querer que a comunidade internacional acompanhe a situação política do país
A ex-deputada federal Dayane Pimentel (União-BA), que ganhou projeção política como uma das primeiras apoiadoras de Jair Bolsonaro (PL) no Nordeste, fez duro alerta sobre o cenário político brasileiro caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegue à Presidência da República.
Em declaração pública nas redes sociais, a ex-parlamentar afirmou temer que o País caminhe para regime fascista se o filho do ex-presidente vencer a eleição.
“Deixo aqui registrado meu medo, meu verdadeiro temor, para que o mundo fora do Brasil seja testemunha do que estou dizendo”, afirmou. Segundo ela, a eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia representar “um risco real de instalação de uma ditadura no Brasil”.
“A justiça, a mídia, o mundo político, as pessoas… tudo será controlado. Haverá perseguição, armações e tentativas de aniquilar qualquer um que esteja na lista de opositores”, afirmou Dayane.
A manifestação chamou atenção por partir de figura que esteve diretamente associada à ascensão do bolsonarismo no Congresso Nacional.
DE ALIADA À CRÍTICA
Eleita deputada federal em 2018 na mesma onda política que levou Jair Bolsonaro ao Palácio do Planalto, Dayane Pimentel tornou-se uma das principais vozes do bolsonarismo na Bahia naquele período.
Com o passar dos anos, porém, rompeu politicamente com o grupo bolsonarista e passou a fazer críticas públicas contundentes ao movimento liderado pela família Bolsonaro. O distanciamento ganhou novos contornos diante das articulações eleitorais em torno de Flávio Bolsonaro como possível candidato ao Planalto.
Na avaliação da ex-parlamentar, o bolsonarismo teria desenvolvido lógica política marcada pela radicalização e pela confrontação com instituições democráticas. Por isso, ela decidiu tornar público o que descreve como “preocupação pessoal e política”.
“Quero que o mundo saiba do meu temor. Não posso me calar diante do que considero um risco para a democracia brasileira”, declarou.
DISPUTA POLÍTICA E POLARIZAÇÃO
As declarações ocorrem em momento de intensa movimentação no campo da direita brasileira. O nome de Flávio Bolsonaro passou a circular como possível herdeiro político do pai, especialmente após os desdobramentos judiciais que atingiram o ex-presidente.
O senador tem ampliado a presença no debate público e na articulação com lideranças conservadoras, além de manter influência no núcleo político ligado ao bolsonarismo.
A eventual candidatura, no entanto, também tem provocado divisões dentro da própria direita. Parte de ex-aliados avalia que a estratégia de manter a liderança política concentrada na família Bolsonaro pode dificultar a reorganização do campo conservador para as próximas eleições.
DEBATE SOBRE DEMOCRACIA
As críticas de Dayane Pimentel reacendem debate recorrente no País desde o ciclo político iniciado em 2018: o impacto do bolsonarismo sobre as instituições democráticas.
O tema ganhou ainda mais peso após investigações e processos relacionados aos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e tentativas de deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro, episódios que marcaram o ambiente político nos últimos anos.
Ao tornar pública a preocupação, a ex-deputada afirmou que pretende contribuir para debate mais amplo sobre os rumos da democracia no país.
“Faço esse registro para que fique documentado. O mundo precisa acompanhar o que pode acontecer no Brasil”, disse.
A fala da ex-aliada histórica do bolsonarismo evidencia que as disputas internas e as divergências sobre o futuro da direita brasileira tendem a se intensificar à medida que o País se aproxima de novo ciclo eleitoral.











