“Os governantes sérios deveriam simplesmente ignorar essa proposta bizarra”, afirmou Aloysio Nunes, ex-ministro das Relações Exteriores
O ex-chanceler Aloysio Nunes Ferreira foi enfático ao defender que o presidente Lula rejeite qualquer convite para aderir ao mal-afamado “Conselho” de Donald Trump.
“Isso não é um órgão multilateral sério — é um simulacro da ONU”, afirmou Aloysio sobre a proposta de Trump, em entrevista para a revista CartaCapital.
“Não temo retaliação por parte dos Estados Unidos se o Brasil recusar participar. Nosso País já sabe como conduzir sua diplomacia com prudência”.
“O Brasil já demonstrou que não verga a espinha dorsal, e Trump parece respeitar quem não se deixa abater”, completou.
Segundo ele, a iniciativa dos EUA precisa ser vista com cautela porque mistura poder político e interesses geopolíticos concentrados, e não representa mecanismo genuíno de manutenção da paz.
Para Aloysio Nunes, a rejeição seria defesa pragmática da soberania brasileira, sem risco automático de retaliação por parte dos EUA.
“Os governantes sérios deveriam simplesmente ignorar essa proposta bizarra”, enfatizou Aloysio.
BRASIL E O DEBATE SOBRE MULTILATERALISMO
Embora o governo brasileiro ainda esteja avaliando a posição oficial sobre o convite de Trump, fontes indicam que a análise interna no Planalto é cautelosa, e acompanha a postura crítica de muitos países que veem o famigerado “Conselho” com reservas.
De acordo com informações das agências internacionais:
• A iniciativa enfrenta adesão limitada e preocupações de países europeus sobre a concentração de poder nas mãos de Trump.
• A Espanha declarou que não vai aderir ao “Conselho”, e citou compromisso com o sistema da ONU e respeito ao direito internacional.
Especialistas consultados por veículos internacionais também alertaram que a ideia pode fragilizar o papel de instituições tradicionais de governança global, especialmente se for usada para além do conflito de Gaza, como alguns documentos sugerem.
SOBERANIA BRASILEIRA
A discussão sobre o “Conselho” trumpista acontece em momento de tensão e negociações complexas entre Brasília e Washington, em meio às disputas comerciais e tarifárias que marcaram as relações bilaterais nos últimos anos.
Aloysio Nunes já havia defendido anteriormente que o Brasil não adotasse retaliações automáticas em disputas com os EUA, e destacou que “retaliação nunca foi conduta adotada pelo Brasil” em pautas comerciais e diplomáticas, mas sim a busca por diálogo e soluções negociadas.
O QUE É
O suposto “Conselho da Paz” foi anunciado por Trump durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na segunda-feira (19).
O monstrengo teria Trump como presidente vitalício e poder de decisão centralizado, em modelo criticado por estudiosos do assunto. Quem quiser fazer parte da pantomima de Trump permanentemente tem que pagar US$ 1 bilhão (mais de R$ 5,28 bilhões)
A adesão inclui países como Emirados Árabes, Turquia e Hungria, mas muitos aliados europeus — incluindo Espanha e Reino Unido — recusaram participar.
Críticos internacionais veem a iniciativa como tentativa de enfraquecer o multilateralismo e de torpedear a ONU.
O Brasil avalia sua posição sem pressa, e busca consenso diplomático internacional antes de tomar decisão final.











