Ex-presidente do BRB diz ao Supremo que Ibaneis sabia da nebulosa operação com o Master

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (Foto: Marcelo Camargo - Agência Brasil)

Depoimento aponta conhecimento prévio do governador do DF sobre transação de R$ 12,2 bilhões hoje investigada por suspeita de fraude e títulos sem lastro

O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, ligado ao governador do DF, afirmou em depoimento ao STF (Supremo Tribunal Federal), que informou pessoalmente o governador, Ibaneis Rocha (MDB), sobre a operação bilionária com o Banco Master.

O Master vendeu cerca de R$ 12,2 bilhões em títulos podres para o BRB, banco público de Brasília e hoje é objeto de investigação por suspeita de fraude.

Em sua fala, Costa disse que Ibaneis estava ciente dos grandes investimentos planejados pelo banco, mas que a decisão final de seguir com a aquisição dos ativos foi tomada por ele, com base em sua avaliação técnica.

“O governador sabia. Eu comuniquei a ele sobre a operação, mas a decisão foi minha como presidente do BRB”, teria dito o ex-executivo, conforme os autos no STF.

DIFERENÇAS DE VERSÃO NO PROCESSO

A investigação judicial se intensificou após divergências nos depoimentos de Paulo Henrique e do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, acareados no final de dezembro.

Enquanto Costa sustenta que os títulos negociados foram originados no próprio Master, Vorcaro afirma que teriam sido comprados de terceiros antes da venda ao BRB — ponto central para estabelecer a legalidade da operação.

Essa discrepância importa porque a apuração da PF (Polícia Federal) e do MPF (Ministério Público Federal) sugere que grande parte dos ativos envolvidos não tinha lastro real, o que pode caracterizar fraude contra o BRB e desvio de recursos.

REPERCUSSÃO POLÍTICA E JURÍDICA

O caso ganhou contornos políticos e legais complexos.

O BRB afastou Paulo Henrique Costa em novembro de 2025 após a deflagração pela PF da Operação Compliance Zero, que investiga emissão de títulos de crédito falsos e que resultou na prisão do fundador do Master e em medidas cautelares contra dirigentes do banco.

Ibaneis Rocha, por meio da assessoria, afirma que não comentaria o conteúdo do depoimento por ainda não ter tido acesso ao teor apresentado ao STF.

Em entrevistas anteriores, o governador tem dito que a investigação deve ser conduzida pelas autoridades competentes e que a operação, à época, parecia vantajosa para os interesses do banco estatal.

CONSEQUÊNCIAS E PRÓXIMOS PASSOS

O caso segue em sigilo no Supremo e terá novos depoimentos para tentar esclarecer o papel de cada ator no negócio contestado, inclusive sobre o grau de envolvimento político nas decisões do banco estatal.

Além disso, parlamentares já articulam medidas como a possibilidade de CPI para investigar o caso Master, diante da amplitude dos recursos e das ligações levantadas entre dirigentes públicos e privados.

De um lado, a defesa de Costa e aliados de Ibaneis tendem a frisar a autonomia técnica das decisões tomadas no BRB. Do outro, investigadores e críticos veem nas declarações ao STF indício de que a operação — além de arriscada — teve participação direta da cúpula do Executivo do Distrito Federal, ao menos em termos de conhecimento prévio.

“O governador sabia dos investimentos de grande porte, mas a decisão de aquisição foi minha”, relatou Paulo Henrique Costa no STF, segundo fontes do processo.

A complexidade do caso mantém o cenário em aberto, com implicações para a política local e para a credibilidade das instituições envolvidas.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *