
Faleceu, neste sábado (30), o escritor Luís Fernando Veríssimo, aos 88 anos, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Verissimo estava internado desde o dia 17 de agosto na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre (RS), com princípio de pneumonia. O escritor convivia com sequelas de AVC, sofrido em 2021, e da doença de Parkinson.
Com mais de 80 obras publicadas, o gaúcho é um dos mais populares escritores contemporâneos do Brasil, passou a vida escrevendo e fazendo humor através das palavras. Como escritor, cartunista, tradutor, roteirista, dramaturgo e romancista teve como uma das obras mais conhecidas a coletânea “O Melhor das Comédias de Vida Privada” (2004), coletânea que reuniu crônicas inéditas (até aquele momento) e publicadas originalmente em jornais, retratando situações do cotidiano brasileiro com humor e ironia, o consolidou como um dos cronistas mais lidos do país.
Durante a ditadura, Veríssimo fez uso de suas tirinhas em jornais, em especial no Zero Hora, para críticas sociopolíticas através do humor. No livro “O difícil disfarce da dor – humor e memória do terror em Luis Fernando Verissimo” (Editora Unimontes), fruto de sua tese de doutorado, o professor Carlos Augusto Carneiro Costa destaca a importância de Veríssimo na denúncia da ditadura militar brasileira.
Carneiro Costa analisa quarenta contos e crônicas de Luis Fernando Verissimo, publicados entre 1975 e 2010, para refletir sobre o humor e sua relação com o terror da ditadura militar brasileira de 1964 em que defende a tese de que as crônicas e os contos de Luis Fernando Verissimo, que integram o corpus de análise, resultam de uma “ética da representação humorística”.
Nesta “ética”, “ao invés de contribuir para a banalização do sofrimento, tais textos provocam uma espécie de choque e de desvelamento ao explorar, humoristicamente, cenas de violência, levando o leitor a refletir, criticamente, sobre práticas autoritárias que se evidenciam no terror de Estado”, diz Elcio Loureiro Cornelsen Professor Titular da Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no prefácio do livro.
Por essa ótica, revisar Veríssimo talvez nos permita combater o discurso do “era só uma piada” ou de uma liberdade de expressão abstrata que fez com que uma parcela dos humoristas defendessem piadas como as que levou Léo Lins a condenação por violentar quem sofre com a opressão, reforçando o opressor.