A fascistização do governo dos EUA é característica da atual radicalização da luta de classes da conjuntura internacional. O principal sintoma é a decadência econômica do imperialismo norte-americano com o fim da sua hegemonia econômica, estabelecida desde o pós-guerra.
A primeira consequência é a falência do colonialismo contemporâneo, isto é, do neoliberalismo, pontificado pelo consenso de Washington, que promove a transferência da periferia para o centro imperialista, via sistema financeiro da mais-valia extra de centenas trilhões de dólares, além do assalto às riquezas naturais (especialmente das terras raras) pela via da troca desigual.
A outra consequência é a desmoralização internacional do dólar como moeda sem lastro.
O resultado dessa panela de pressão sobre o imperialismo é um mundo bipolar ou multipolar, como querem alguns, sendo já o polo principal o seu contrário, o novo, o socialista, o anti-imperialista, o democrático e popular, vanguardeado pela China e Rússia.
Como discorre Lenin (falência da II Internacional),
“quais são, de maneira geral, os indícios de uma situação revolucionária? Estamos certos de não nos enganarmos se indicarmos os três principais pontos que seguem: 1) impossibilidade para as classes dominantes manterem sua dominação de forma inalterada; crise da ‘cúpula’, crise da política da classe dominante, o que cria uma fissura através da qual o descontentamento e a indignação das classes oprimidas abrem caminho”.
O fato é que essa pressão abre uma fissura, na cúpula do imperialismo, entre a Europa e os EUA, cuja profundidade dependerá dessa radicalização e de uma política regida pelo princípio da Frente Ampla, por onde deverá emergir a cooperação entre as nações e um poderoso movimento pela autodeterminação dos povos.
O Brasil é a bola da vez. Uma vitória aqui, nas eleições gerais que ocorrerão este ano, como tem todas as condições de acontecer (aqui também o bolsonarismo está dividido), significará um golpe de monta no fascismo norte-americano. O Brasil é a maior economia da América Latina, do mal denominado quintal (ou retaguarda) dos EUA.
A cada trapalhada ou asneira do Trump e do bolsonarismo que o apoia, tem resultado em avanços qualitativos na consciência da soberania nacional, portanto, na possibilidade de consolidação de uma amplíssima frente nacional que abarque o proletariado, os trabalhadores rurais, a pequena burguesia democrática e a burguesia industrial.
Assim foi no tarifaço de 50%. Retomamos a iniciativa e o verde e amarelo que havia sido sequestrado pela extrema-direita. Ou o escárnio bolsonarista que abriu um bandeirão do opressor imperialista em plena Avenida Paulista, ou, ainda, o que foi pior, a afronta a todo povo com a tentativa de golpe. Estará, inevitavelmente, na ordem do dia a questão da soberania nacional.
A verdade cristalina, que vem à tona com a força da realidade, é que não existe soberania sem estado forte, sem investimento público em infraestrutura, sem prioridade nas compras do estado às empresas nacionais. Que não existirá nação soberana, ou mesmo nação, sem a reindustrialização, que a indústria tem que se sustentar num poderoso mercado interno. Ou seja, a discussão de um programa nacional de desenvolvimento, como consequência dialética do sentimento popular pela soberania nacional.
Aí está o x do problema. Comparado com o governo Bolsonaro, agora na cadeia, Lula foi melhor. Só que, até por seu carisma, o povo tem uma expectativa muito maior. Não só em melhorias pontuais em seu 4º mandato, mas por um novo Brasil.
Como disse Mao Tse Tung, “com efeito, mesmo o movimento mecânico, provocado por uma impulsão exterior, realiza-se por intermédio das contradições internas dos fenômenos” (Sobre a Contradição/ obras escolhidas).
CARLOS PEREIRA











