Bancos querem manter Selic em 15%, arrochar mais o crédito e continuar drenando recursos públicos para seus cofres
Um levantamento feito pela Febraban (Federação Brasileira de Bancos) mostra que 70% dos bancos projetam que o Banco Central (BC) não deve realizar em janeiro deste ano o ciclo de cortes na taxa básica de juros da economia (Selic), hoje em 15%. A pesquisa foi divulgada na última quinta-feira (1º) e tem como base as projeções de 20 instituições financeiras, consultadas entre 17 e 19 de dezembro de 2025 pela entidade.
Os banqueiros jogam que a possível redução dos juros só ocorra apenas na segunda reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, em março deste ano, com uma redução de 0,50 ponto percentual na taxa.
“A evolução recente do cenário econômico, somado à comunicação do BC, tem levado o mercado a convergir para uma expectativa de início do ciclo de corte da taxa Selic a partir de março”, afirma o diretor de Economia, Regulação Prudencial e Riscos da Febraban, Rubens Sardenberg, em nota.
“A principal questão agora parece ser qual velocidade o Copom conseguirá cortar os juros ao longo do ano. Por ora, as expectativas ainda são conservadoras e indicam uma trajetória moderada de corte dos juros, apesar do alto nível da Selic”, completa.
A maioria dos bancos também projetam a redução do crescimento das concessões de crédito e aumento da inadimplência.
Para 2026, a carteira de crédito total deve crescer 8,2%, ficando abaixo do que as instituições financeiras acreditam ter crescido no ano de 2025, alta de 9,2%, devido ao aumento do crédito direcionado pelo governo às pessoas físicas, cujo a projeção subiu de 10,1% para 10,9%.
Já a trajetória da taxa de inadimplência deve seguir em ritmo de crescimento em 2026. A projeção do indicador para a carteira com recursos livres é de 5,1% em 2025, enquanto para 2026, subiu para 5,2%.
Os bancos ganham muito com o atual quadro de juros altos. Os gastos do setor público consolidado (União, Estados/municípios e estatais) com os juros somam R$ 981,9 bilhões (7,77% do PIB) no acumulado em doze meses até novembro de 2025 – isso é dinheiro de toda sociedade que vai para o bolso dos banqueiros, rentistas e outros especuladores de títulos da dívida pública.
Quem sai no prejuízo é a economia brasileira, que desacelera com a perda de ritmo nos investimentos públicos e privados provocada pela política contracionista monetária do BC.
O último Boletim Focus do BC de 2025, divulgado na segunda-feira (29), mostra que os analistas de mercado estimam que o PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro deverá crescer 1,8% em 2026, o que já é abaixo do que se prevê para o ano de 2025, alta de 2,26%. Em 2024, o PIB subiu 3,4% e, em 2023, a alta foi de 3,2%.











