Fechar Estreito de Ormuz é uma forte estratégia militar do Irã, diz professor da ESG

Ronaldo Carmona (Foto: reprodução da TV Globo)

O professor Ronaldo Carmona destacou que, além de destruir as bases americanas na região, a estratégia de fechar a passagem de petróleo já paralisa a produção das monarquias petroleiras e interfere na economia mundial

O Irã foi agredido pelos Estados Unidos e Israel no último dia de fevereiro. Sua resposta está sendo feita em diversas direções. A primeira foi adotar o princípio de atacar quem está nos atacando, ou seja, bombardearam Israel. Os bombardeios quebraram o mito de que o país era inatingível, que sua defesa barraria qualquer ataque, etc. A segunda foi destruir as bases norte-americanas na região.

Mas o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa 20% de todo o petróleo exportado do Oriente Médio para o mundo, é um dos golpes mais contundentes dos iranianos aos seus agressores. A medida já está trazendo grandes prejuízos aos aliados dos EUA na região e aumentando a pressão sobre Trump. A produção está parada e o preço do barril de petróleo já passa de US$ 100.

De acordo com o professor de geopolítica Ronaldo Carmona, da Escola Superior de Guerra, em entrevista no Fantástico, da Rede Globo, no domingo (8), a medida de bloquear a passagem faz parte das opções estratégicas do Irã no contexto do conflito. Segundo ele, o fechamento do estreito busca aumentar a pressão internacional para conter ataques contra o território iraniano.

Segundo ele, o Irã escalonou as respostas. Primeiro alvo foi Israel e, na sequência, as bases norte-americanas na região. “De um modo geral, países e populações do Oriente Médio acabaram se solidarizando com o Irá pela morte de um líder religioso”, afirmou. O professor da ESG acrescentou que o assassinato “causou comoção seja pelas populações muçulmanas seja pela agressão a um país soberano com poder constituído”.

Trump já começa sentir a pressão e tenta justificar a alta do petróleo como algo passageiro. As chamadas monarquias petroleiras, que são hoje, os principais credores dos Estados Unidos, caíram na real de que Trump não está em condições e nem pretende defender seu território, já pressionam pelo fim dos ataques ao Irã. A produção de petróleo e gás da região já esta sendo paralisada em função d fechamento do Estreito de Ormuz.

O Estreito de Ormuz é uma faixa marítima estreita que liga o Golfo de Omã ao Golfo Pérsico. Em seu ponto mais estreito, tem cerca de 33 quilômetros de largura. A passagem fica entre a Península Arábica e o restante da Ásia, cercada por alguns dos principais produtores de petróleo do planeta: Irã, Iraque, Kuwait, Arábia Saudita, Catar, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Omã.

O controle do Estreito de Ormuz está atualmente nas mãos da Guarda Revolucionária iraniana, que utiliza minas, drones e embarcações rápidas como parte da estratégia naval. Apesar de ter uma marinha considerada relativamente modesta em comparação com a americana, o Irã aposta em tecnologias assimétricas para compensar a diferença de poder militar.

Entre os principais recursos estão drones de longo alcance e sistemas de mísseis capazes de atingir alvos a centenas de quilômetros de distância. Esses armamentos são considerados peças centrais da estratégia iraniana para pressionar adversários e manter o bloqueio do estreito.

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