Filho de Ibaneis comprou apartamento de R$ 10 milhões, com recursos da Reag e do BRB

Ibaneis e o filho Caio Barros (Foto: Reprodução - Instagram)

PF investiga. Imóvel de 467 m² no Noroeste foi adquirido com empréstimo de R$ 5,9 milhões do BRB e recursos de fundo associado à gestora investigada no caso Banco Master

A Polícia Federal investiga a compra de imóvel de alto padrão em Brasília pelo advogado Caio Carvalho Barros, filho do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB). O apartamento duplex, localizado no bairro Noroeste — uma das regiões mais valorizadas da capital — foi adquirido por cerca de R$ 9,25 milhões, com recursos ligados à gestora Reag Investimentos e financiamento do BRB (Banco de Brasília).

O imóvel possui 467 metros quadrados e fica na Superquadra Noroeste 106. A escritura registra que a compra foi formalizada em 19 de março de 2025.

Documentos analisados pela investigação indicam que, uma semana antes da aquisição, Caio Barros contratou empréstimo de R$ 5,904 milhões no BRB, instituição financeira controlada majoritariamente pelo governo do Distrito Federal.

A origem do restante dos recursos utilizados na transação, segundo as apurações iniciais, estaria vinculada a investimentos provenientes de fundo administrado pela Reag Investimentos, empresa que aparece em investigações relacionadas ao caso Banco Master.

RELAÇÃO COM INVESTIGAÇÕES FINANCEIRAS

A compra do imóvel passou a ser analisada no contexto mais amplo das investigações que envolvem a Reag e operações financeiras associadas ao Banco Master.

Segundo as apurações, fundo ligado à gestora adquiriu anteriormente direitos creditórios avaliados em cerca de R$ 38 milhões pertencentes ao escritório de advocacia ligado à família do governador.

O contrato envolveu a venda de honorários advocatícios relacionados à ação judicial estimada em R$ 381 milhões, com o crédito sendo negociado por cerca de 10% do valor total.

Investigadores analisam se parte desses recursos pode ter sido posteriormente direcionada para investimentos privados, incluindo a aquisição do imóvel no Noroeste.

TRANSAÇÕES ANTERIORES DO IMÓVEL

Registros imobiliários mostram que o apartamento passou por sequência rápida de transações antes de ser adquirido por Caio Barros.

Inicialmente, a unidade foi comprada ainda na planta por R$ 5,5 milhões pelo executivo José Antônio Batista Costa, CEO do banco digital PicPay, ligado ao grupo J&F. Meses depois, em julho de 2024, o imóvel foi revendido ao empresário Cláudio Mohn França por R$ 10 milhões.

Cinco meses mais tarde, a propriedade foi transferida ao filho do governador por R$ 9,25 milhões, valor inferior ao da transação anterior.

POSSÍVEL CONFLITO DE INTERESSES

A investigação também examina o fato de parte da compra ter sido financiada pelo BRB, banco público no qual o GDF é o acionista majoritário.

Especialistas apontam que, em casos que envolvem autoridades ou familiares diretos, operações financeiras desse tipo podem levantar questionamentos sobre eventuais conflitos de interesse ou tratamento privilegiado.

DEFESA

O governador Ibaneis Rocha tem afirmado que não possui participação nas atividades do escritório de advocacia da família desde 2018, quando assumiu o governo do Distrito Federal.

Em declarações anteriores sobre operações envolvendo a Reag, a defesa do governador sustentou que ele não participou de negociações financeiras realizadas posteriormente pelo escritório e que qualquer atividade empresarial ocorreu de forma independente.

Até o momento, Caio Carvalho Barros não havia se manifestado publicamente sobre a compra do imóvel, segundo as reportagens que revelaram a operação.

CASO AMPLIA PRESSÃO POLÍTICA

O episódio reforça a pressão política sobre o GDF em meio às investigações sobre operações financeiras relacionadas ao Banco Master e a fundos administrados pela Reag.

Embora a compra do imóvel não configure, por si só, irregularidade, investigadores buscam esclarecer a origem dos recursos utilizados na transação e possíveis conexões com as operações financeiras que estão sob apuração no sistema bancário.

Caso sejam confirmados indícios de irregularidades, o caso poderá integrar conjunto mais amplo de investigações que envolvem relações entre instituições financeiras, gestores de fundos e autoridades públicas.

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