O destino, como sempre, a Flórida, onde ficam mais próximos de Trump, o “patrão” dos Bolsonaro, a quem prestam fidelidade canina
O pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), realizou, pelo menos, duas viagens com a própria família no ano passado em jatinhos cedidos por empresários.
O destino, é óbvio, a Flórida, nos Estados Unidos, o preferido não só do 01 de Bolsonaro, mas de todo o clã, como o fez seu pai ao fugir do país para não ter que passar a faixa para o presidente Lula, depois de ter sido derrotado no pleito de 2022. Foi de lá que continuou açulando a trama golpista que culminou no fatídico 8 de janeiro de 2023.
O fato foi noticiado pelo Estadão a partir de documentos e relatos colhidos.
Uma das viagens foi na primeira hora do dia 1º de maio de 2025, com destino à Flórida em um avião executivo de longo alcance, na companhia de sua esposa e do advogado Willer Tomaz, em avião emprestado por outro empresário. Na véspera, Flávio havia completado aniversário de 44 anos. A segunda viagem foi para o Rio de Janeiro em um jatinho pertencente ao próprio Willer Tomaz.
Documentos do Aeroporto de Brasília apontam que Flávio Bolsonaro ingressou no terminal executivo com sua esposa às 23h37 do dia 30 de abril de 2025 – uma quarta-feira, véspera do feriadão do 1º de maio. No mesmo horário, também foi registrado o ingresso de Willer Tomaz.
Pelo registro dos voos, a 0h26 partiu do terminal uma aeronave particular com destino à Flórida. O avião está registrado em nome de uma empresa dos donos da União Química, laboratório químico-farmacêutico sediado em São Paulo. O escritório de Willer já atuou para a empresa em processos na Justiça.
Os documentos também registram uma entrada de Flávio Bolsonaro com sua esposa e suas duas filhas no dia 1º de abril de 2025, às 16h. Menos de dez minutos após a entrada deles, um jatinho particular pertencente a uma empresa ligada a Willer Tomaz deixou o terminal com destino ao Rio de Janeiro. A aeronave é um Cessna modelo 550 Bravo, com capacidade para oito passageiros.
Os documentos do terminal indicam três outras entradas de Flávio para viagens em aviões particulares, mas não é possível identificar o destino e a aeronave usada nesses deslocamentos.
Muito conhecido nos bastidores de Brasília, Willer Tomaz tem bom relacionamento com diversos parlamentares e possui um escritório de advocacia, além de empresas de outros ramos de atividades. Ele se aproximou de Flávio Bolsonaro durante o período em que Jair Bolsonaro era presidente da República.
No passado, Willer chegou a ser preso pela Polícia Federal após ter sido delatado por Joesley Batista sob acusação de tentar corromper um procurador, embora o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) rejeitou a denúncia movida contra ele por falta de provas.
Procurado pela reportagem do Estadão, o senador afirmou que as viagens tiveram “finalidade pessoal e familiar”, mas não esclareceu quem pagou pelos custos do jatinho.
Acrescentou que as viagens tiveram “caráter privado”, numa flagrante revelação, no mínimo, da falta de discernimento entre o público (no exercício do mandato de senador) e o privado.
E mais: afetado pela revelação de sua intimidade com empresários e seus jatinhos, resolveu atacar levianamente o presidente Lula, que, segundo ele, “utiliza aviões de amigos que têm empresas reguladas pelo governo”, sem apresentar uma única prova da leviandade.
O advogado Willer Tomaz disse que não obteve nenhum favorecimento na administração pública e é amigo de Flávio.
Já Fernando Marques, um dos sócios da empresa dona do avião, Fernando Marques, não retornou às chamadas da reportagem. Da marca Bombardier, a aeronave é considerada um jato executivo de longo alcance e tem capacidade para 13 passageiros











