Um fundo administrado pela corretora Trustee, de Maurício Quadrado, ex-sócio do Banco Master, registra dívidas de R$ 122 milhões com advogados e outra de R$ 10,7 milhões com consultoria, sem ter apresentado documentos que comprovem os serviços prestados, revela uma reportagem do jornal Estado de São Paulo.
Quadrado foi sócio do Master, do banqueiro Daniel Vorcaro, entre setembro de 2020 e setembro de 2024 e comandou a área de investimentos do banco nesse período. A Trustee atuava como prestadora de serviços para o Master e aparece em diferentes investigações envolvendo Vorcaro.
De acordo com a reportagem, a Trustee afirma ter cobrado as informações dos assessores legais do fundo, que seriam os profissionais responsáveis por enviar essa documentação. Mas a corretora não informou quem seriam esses assessores legais.
Segundo dados mais recentes, o fundo da Trustee, intitulado “GSR”, tinha até setembro do ano passado um patrimônio de R$ 3 bilhões, com apenas um cotista – que é um fundo de investimento chamado “Astralo 95”, de acordo com levantamento feito por Einar Rivero, sócio-fundador da consultoria Elos Ayta.
O Astralo é administrado pela Reag, uma gestara de fundos que também está envolvida no caso do Banco Master e suspeita de lavar dinheiro para o crime organizado. Na semana passada o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da Reag, por promover “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional (SFN)”, diz a nota.
Ocorre que na demonstração financeira de 2024, última disponível, os auditores do GSR afirmam não terem tido acesso à documentação necessária para comprovar a origem e destino dos gastos com advogados e consultores.
“Não nos foram fornecidas as documentações sobre as referidas despesas, não sendo possível obter evidências de auditoria apropriadas e suficientes para concluirmos sobre a adequação dessas despesas”, disse a RSM Auditores, em relatório incluso nas demonstrações financeiras.
Além dos valores em aberto com advogados e consultoria, o fundo também registrou na documentação financeira uma aquisição de R$ 792,3 milhões em direitos creditórios, como ações judiciais e precatórios. No entanto, não há mensura sobre qual seria o valor justo desses ativos. Ou seja, quanto o GSR efetivamente ganharia com essa carteira de crédito, como determina a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
A defesa do banqueiro Daniel Vorcaro afirma que “o Banco Master não é gestor ou administrador do fundo GSR FIDC-NP, nem participa de suas decisões de investimento, políticas de gastos ou contratações de prestadores de serviços”. Por sua vez, a Reag não se manifestou.
Já a defesa da Trustee disse que “ao longo do processo de auditoria das Demonstrações Financeiras de 2024, a Trustee DTVM, na qualidade de administradora do fundo de direito creditório GSR, adotou diligência e cobrança junto ao responsável pelo fornecimento das informações e documentos necessários, com o objetivo de viabilizar a adequada validação dos registros contábeis e a emissão do relatório de auditoria. Porém ainda não recebeu as informações consideradas suficientes pelo auditor independente”.











