
Este é o “BC independente”. Quem decide é o “mercado”. Não bastasse a consulta ao cartel dos bancos (Boletim Focus) para definir a taxa Selic, agora se pergunta também até como proceder na venda do Master ao BRB.
Como se não bastasse o fato, altamente questionável, do Banco Central ouvir sistematicamente, e apenas, a opinião do cartel dos bancos – através do Boletim Focus – para definir a taxa básica de juros da economia, agora surge a notícia de que o presidente do BC, Gabriel Galípolo, se reúne nesta sábado (5) com grandes bancos para saber que decisão tomar em relação ao anúncio da aquisição do Banco Master pelo BRB, banco público de Brasília.
É fato que o negócio está eivado de suspeitas, já que o Banco Master é conhecido por operar no mercado com ativos de alto risco e apresentar uma gestão considerada temerária. Mas certamente o Banco Central tem, ou deveria ter, informações e instrumentos suficientes para avalizar ou bloquear a transação. Não há, portanto, uma explicação plausível para uma consulta do BC aos principais bancos – alguns deles interessados no negócio – para se tomar uma decisão sobre a venda ou não do Master ao BRB.
O encontro “extraordinário” de Galípolo com os banqueiros, ocorre em São Paulo e conta com a presença de Marcelo Noronha (Bradesco), Mario Leão (Santander), Milton Maluhy (Itaú), André Esteves (BTG Pactual) e Daniel Lima (FGC). O convescote acontece uma semana após o anúncio do BRB de que pretende adquirir 58% do capital total do Banco Master. O BC, que se tornou independente do governo e do país, parece, com mais essa “consulta”, cada vez mais dependente dos bancos.
A negociação de compra do Banco Master, de propriedade do operador financeiro Daniel Vorcaro, pelo Banco Regional de Brasília, sem que o banco público assuma o controle da instituição, é avaliada em cerca de US$ 2 bilhões. A negociação, anunciada na sexta-feira (28/3), levantou suspeitas e foi denunciada por políticos do Distrito Federal, pelo Ministério Público e pelo Sindicato dos Bancários de Brasília.
De acordo com dados do balanço de 2024, o Banco Master possui patrimônio líquido de R$ 4,7 bilhões com uma elevada concentração de vencimentos de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) até junho, totalizando R$ 7,6 bilhões. O crescimento acelerado da instituição nos últimos anos foi impulsionado pela oferta de taxas agressivas, que chegaram a até 140% do CDI — acima da média praticada por concorrentes -, o que também tem gerado preocupações sobre a sustentabilidade do modelo.
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