Jogou pelo ralo R$ 500 milhões. Até imóvel falso foi dado como “garantia”
O Banco de Brasília (BRB) gastou R$ 500 milhões comprando duas vezes títulos da mesma carteira do Banco Master que não tinha garantias e documentos fundamentais. A área técnica do BRB foi contra a aquisição dos títulos.
Documentos foram obtidos e revelados pelo portal Metrópoles.
Em outubro de 2024, o BRB, que é controlado pelo governo de Brasília, pagou R$ 174 milhões para adquirir cédulas de crédito bancário (CCBs) de uma carteira do Banco Master.
Essa carteira era relativa a um empréstimo de R$ 400 milhões da RKO Alimentos, um frigorífico de Mato Grosso, com o Banco Master, feito em dezembro de 2023.
Essa carteira do Banco Master não oferecia garantias que atingissem o que é praticado normalmente no mercado (cerca de 130% do valor do crédito).

Por isso, o banco incluiu como garantia um imóvel avaliado em R$ 1,3 bilhão e localizado em Mata de São João (BA), cidade que tem resorts.
No entanto, de acordo com o portal Metrópoles, “o imóvel nunca pertenceu ao Master. Logo, nunca poderia ser tomado como garantia”.
Em 2025, quando o BRB já tentava comprar o Banco Master e o processo estava sendo avaliado pelo Banco Central, o banco estatal negociou com o Master a troca de carteiras de baixa qualidade que havia comprado.
Nessas conversas, o Banco Master voltou a oferecer a carteira da RKO referente ao empréstimo de R$ 400 milhões para “construção ou aquisição de novos frigoríficos e desenvolvimento de lojas no segmento de carnes premium e congeladas”.
O dinheiro desse empréstimo deveria ficar aplicado no fundo de investimento “Bravo”, da Reag, para ser liberado conforme a construção de novos frigoríficos avançasse.
Sem que nenhuma informação fosse dada, o dinheiro referente à carteira comprada pelo BRB estava em outro fundo, o “Titânia”.
Mesmo assim, o BRB gastou, em 30 de junho de 2025, mais R$ 324 milhões para comprar títulos dessa carteira.
Com a negociação feita às pressas, a área técnica do BRB sequer foi ouvida. Os técnicos apontavam que uma fragilidade era a troca, sem qualquer motivação, do dinheiro do fundo “Bravo” para o “Titânia”. Além disso, o Master e a RKO não davam informações sobre como o dinheiro era utilizado.
Cinco superintendências do BRB assinaram um relatório destacando que não havia “garantia real imobiliária na operação contratada”, assim como faltavam “informações sobre liberações de recursos e cumprimento das etapas preestabelecidas” e não havia “comprovação de utilização dos recursos contratados no desenvolvimento dos projetos mencionados”.
A carteira adquirida duas vezes pelo BRB ainda tinha “baixo índice de garantia (69%)” e “ausência de documentos contábeis e financeiros atualizados”.
Um parecer jurídico destacava que a negociação deveria ter uma cláusula de revenda para “salvaguarda institucional” do BRB, o que não foi incluído.











